Sondagens eleitorais

Dado que não existem muitas sondagens sobre a situação da política galega, li com grande interesse a publicada por este jornal no sábado passado. Neste campo, estou habituado a confiar mais nas sondagens privadas, que apostam no seu prestígio, do que nas realizadas por organismos oficiais como o CIS, já que, em última instância, a direção deste centro está tradicionalmente entregue a um especialista militante ou próximo do partido que está no governo nesse momento. Por isso, é normal que se introduza um certo enviesamento a seu favor na preparação dos dados, sobretudo nos inquéritos especificamente eleitorais. As sondagens privadas também podem ser manipuladas por quem as encomenda, seja um órgão de comunicação ou um partido, mas se os seus resultados estiverem demasiado afastados da realidade, perdem fiabilidade e as empresas acabam por perder a reputação.

Os resultados da sondagem aqui publicada são credíveis e coerentes com as minhas percepções sobre a evolução da política galega. Mostram que a política galega continua a ser dominada por forças políticas de obediência galega, sem que forças orientadas de outros territórios consigam penetrar no eleitorado. No caso do Partido Popular da Galiza, dominado aqui e em Madrid por galegos, isso é evidente. O exemplo mais recente é a retirada estratégica da presidenta de Madrid, Díaz Ayuso, no seu confronto pré-congresso sobre a forma de escolher a futura direção do partido, em que o seu futuro político está em jogo. A posição de Feijóo de realizar uma eleição por delegados sem eleições primárias parece ter triunfado sem oposição, algo que não favorece a madrilenha. Para além do facto de os presidentes do PP estatal nunca terem podido controlar o partido na Galiza, nem sequer sendo galegos, a sondagem mostra outra dinâmica típica da direita galega, a de funcionar de forma claramente independente da direita espanhola, cuja prova é a inexistência de Vox como força política, sendo a única comunidade autónoma em que este partido não está representado. Este fenómeno não é muito discutido nos círculos nacionalistas, mas é um dos traços diferenciadores da Galiza como sistema político, e só pode ser explicado pelas caraterísticas nacionais da direita galega.

A outra grande força galega destacada no inquérito é o BNG, também obviamente de obediência galega, e que em poucos anos passou de quarta força no parlamento galego a consolidar-se claramente como a segunda, colocando numa posição cada vez mais subalterna o outrora poderoso PsdG-PSOE, que parece ter-se reduzido a uma força municipalista, abandonando as expectativas de se tornar uma alternativa ao PPdeG. O BNG, com uma organização sólida e compacta, parece ter deixado definitivamente para trás os tempos de Amio e é agora a única força que pode medir-se com o poder do Partido Popular. Só tem um problema: num parlamento com duas forças principais, e sem qualquer expetativa de que o PSdeG atraia o voto da direita, a única opção que resta é que uma percentagem substancial dos votos populares mude para os nacionalistas, ou que estes fiquem em casa por qualquer razão. A sondagem diz que, entre os jovens, o voto nacionalista já é maioritário, mas a verdade é que os jovens são cada vez menos numerosos e estão a envelhecer e muitos deles podem acabar por votar como os seus pais e avós. Ou o PP galego comete um erro grave ou o BNG tenta uma estratégia para atrair estes eleitores, ou então vejo os resultados destas sondagens a repetirem-se durante muito tempo.

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