venres 28/01/22
ANÁLISE

As lições para a esquerda se recuperar no Brasil após a vitória da extrema-direita

Pese às denúncias de crime eleitoral por uso de caixa B no escândalo do impulsionamento de mensagens por whatsapp, a extrema-direita elegeu um presidente da República no Brasil pela primeira vez de forma democrática. As denúncias precisam ser investigadas e, se comprovadas, deve haver punição aos responsáveis. Mas o que a centro-esquerda brasileira precisa fazer agora é refletir sobre o sucesso da extrema-direita, para compreender o que aconteceu no Brasil e se renovar na oposição visando as eleições municipais de 2020 e a nacional de 2022.

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Haddad, na chamada Caminhada pola Paz decorrida em São Paulo na véspera do segundo turno das eleições

Desconexão com as bases

O rapper Mano Brown, do grupo Racionais MCs, resumiu bem o problema das esquerdas com suas bases em um comício [mitin] a favor da candidatura de Fernando Haddad (PT): os partidos de esquerda abandonaram suas bases, deixarom a periferia das grandes cidades de lado em uma tentativa fracassada de abraçar as classes mais abastadas. A crise que deixou o Brasil com mais de 12 milhões de desempregados não começou após a queda de Dilma Rousseff (PT) da presidência, a crise começou no governo dela.

A esquerda abandonou suas bases porque achou que jamais perderia ela. O PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira) e os demais partidos da centro-direita sempre tiveram dificuldades em dialogar com a população mais pobre. Mas a extrema-direita, com seu caráter populista e evangélico, rompeu a barreira e fez com que o discurso conservador invadisse a periferia. Acusá-los de complacência com o fascismo não é o caminho para recuperá-los. É preciso entender o que a favela tem a dizer nos dias de hoje.

Lulismo e pós-lulismo

PT, PDT, PSB, PCdoB, PSOL, e Rede são os partidos brasileiros de centro-esquerda e esquerda com representação na Câmara dos Deputados. Apesar da diversidade, as esquerdas no Brasil continuam dependentes do chamado lulismo. Somente o PT conseguiu força política o suficiente para disputar as eleições e as tentativas de PSB (2014) e PDT (2018) foram sufocadas pelo próprio PT, que viu os aliados como inimigos.

Enquanto impedia PSB e PDT de lançarem candidaturas competitivas, o PT pouco renovou seus quadros. Apostou única e exclusivamente na figura de Lula da Silva, atualmente a cumprir pena por corrupção. Foi o ódio a Lula que impulsionou a extrema-direita a passar por cima da centro-direita no primeiro turno e da esquerda no segundo, vencendo a disputa eleitoral.

Enquanto em Portugal António Costa (PS) vai bem sem a figura de José Sócrates e na Espanha Pedro Sánchez (PSOE) assumiu o governo renovando a imagem do partido, o PT no Brasil ainda parece dependente de Lula da Silva. As novas lideranças que o partido criou, especialmente na região Nordeste, ainda estão longe do comando interno. O PT e as esquerdas devem sempre valorizar o legado de Lula, mas precisam ir além disso para serem fortes de novo. Por isso, a necessidade de um pós-lulismo.

Renovação

Para fechar, as esquerdas precisam urgentemente renovar seus quadros. A derrota de figuras tradicionais da política para deputado e senador apontou o caminho escolhido pelo eleitorado: quer nomes novos. A maioria dos 52 deputados eleitos pelo PSL de Jair Bolsonaro irão para o Congresso brasileiro pela primeira vez. Bolsonaro é deputado há 27 anos, mas é a primeira vez que tentou a presidência. Repetir nomes levou à queda os tradicionais PSDB e MDB. O PT e as esquerdas precisam de caras novas.

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