Bernardo Valdês Paços e Mar Pérez Fra: "A imagem de Galiza como país rural deixou de ser umha realidade há tempo"

Nós Diario celebra o seu quinto aniversário com o lançamento dumha coleçom de dez livros, A riqueza da Galiza, dirigida por María do Carme García-Negro e da autoria de reconhecidos e reconhecidas especialistas em economia, que se obsequiaram ao longo do ano ás pessoas subscritoras que o solicitem até o 20 de janeiro. O primeiro destes volumes é A produçom agroalimentar e forestal, de Bernardo Valdês Paços e Mar Pérez Fra, professor e professora do departamento de Economia Aplicada da Universidade de Santiago de Compostela.

Bernardo Valdès Paços e Mar Pérez Fra, autor e autora do libro que agasalla 'Nós Diario'.
Bernardo Valdès Paços e Mar Pérez Fra, autor e autora do libro que agasalla 'Nós Diario'.

–Moitas som as mudanças que ocorrêrom na agricultura galega desde 1986. E polo que é analisado no seu trabalho, estamos mais integrados no mercado mundial e moito menos autónomos na produçom de alimentos. Trata-se de um fenómeno idêntico ao das outras economias da UE?
O sector agrário galego, como a nossa economia no seu conjunto, está plenamente integrado nos mercados mundiais, como corresponde com a etapa do capitalismo globalizado na que estamos imersos. No caso específico do sector agrário, se nos comparamos com outros países da nossa contorna económica, o que se comprova é que a agricultura galega experimentou um processo de integraçom mercantil muito intenso num período relativamente curto de tempo. Passamos, nuns poucos anos, dumha agricultura tradicional orgânica, a ter unidades produtivas especializadas, intensivas e orientadas ao mercado.

Por outra parte, a integraçom do Estado Espanhol no que daquela era a Comunidade Económica Europeia (CEE) resultou em que umha parte importante das decisons de política agrária se traspassassem a esta instituçom europeia. Além disto, partir de finais dos anos 80 produze-se umha crescente abertura do mercado agroalimentar à concorrência exterior. Fruito precisamente dessa incorporaçom a CEE, mas também do acordo final da Rolda Uruguai do GATT, assinado em 1994. Deste jeito, a produçom de alimentos é hoje controlada, numha parte significativa, por empresas transnacionais que operam a escala planetária mediante umha densa rede de filiais e empresas fornecedoras. Embora o grau de concentraçom empresarial depende em boa medida do elo do sistema agroalimentar do que falemos, sendo muito menor na agricultura que na indústria produtora de insumos agrários ou na distribuiçom alimentar. Galiza nom escapa desta realidade. Agora bem, o papel que jogamos na divisom internacional do trabalho é o dumha economia periférica.

–O que consideram ser o carácter decisivo da produçom agropecuária? Em que difere da produçom industrial clássica ou de outros serviços?
Existem diferentes aspectos nos que se diferenciam: o trabalho com seres vivos (plantas, animais…), a dependência das circunstâncias meteorológicas, a baixa elasticidade-rendimento da procura… Mas, sem lugar a dúvida a dependência da terra é um elemento decisivo. Esta é um factor de produçom essencial para a produçom agrária, que, ademais, a diferença doutros factores produtivos é inmóvel e nom reproducível (podem-se produzir mais tractores ou outras máquinas ou instalaçons, mas nom mais hectares, agás casos especiais). Antes aludíamos aos intensos câmbios experimentados polo sector agrário galego, pois bem estes redundárom num aumento significativo no uso de meios de produçom externos, mas nun escasso aproveitamento da terra em comparaçom com o uso potencial. De tal jeito que a reduzida base territorial é o fator essencial que lastra a produçom e a viabilidade económica das exploraçons galegas. Dedicamos-lhe muito espaço no livro a explicar esta questom fulcral, non só a nível micro (da exploraçom), senom que afeta ao sector e mesmo à economia galega no seu conjunto. Os agricultores e agricultoras realizaron um enorme esforço modernizador: especializárom-se, integrárom-se no mercado e incorporárom neste processo grandes quantidades de tecnologia. Mas desgraçadamente vírom bloqueado o seu acesso a terra.

–Se non se pode falar de Galiza rural como signo definidor hoxendía, que papel ten a produción agraria na economía galega? Galiza xa non é rural. É predominante primaria ou esa denominación xa non di nada?
A imagem de Galiza como país rural, no que a atividade agrária joga um papel muito relevante na achega de renda e emprego deixou de ser umha realidade há tempo. A maior parte dos galegos e galegas residem já em espaços urbanos e periurbanos, e nom há um só município da Galiza na que o sector agrário seja a principal fonte de emprego. Isto nom quer dizer que a atividade agraria seja irrelevante, é mais, em determinadas comarcas continua sendo um motor económico importante sobre o que pivotam umha parte relevantes dos empregos, especialmente do sector serviços.

–Como valorades que foi/é o grado de determinación política da produción agraria na Galiza? Ou que rol cumpre a política económica na produción agraria e no futuro da mesma: Xunta, Goberno español, PAC...?
Antes sinalamos que a incoporaçom à UE implicou a cesom dumha parte da capacidade de decisom política da administraçom central do Estado. Ademais, Galiza integrou-se num momento no que começavam a tomar-se medidas para controlar a produçom e limitar os gastos. Nós nom disfrutamos dum período de apoio generoso aos preços agrários que permitiu a modernizaçom de boa parte dos países centrais da UE. Antes bem, a nós aplicárom-se-nos medidas restritivas e de controlo da produçom quando o proceso de modernizaçom apenas estava começando, constituindo desta forma umha peja ao desenvolvimento do nosso potencial produtivo.

Com tudo, queremos destacar que a normativa comunitária vem deixando desde o início do século XXI, umha ampla margem de manobra aos Estados-Membros. Umha capacidade de decisom que no Estado Espanhol se traslada, parcialmente, às comunidades autónomas. Polo que tanto o governo do Estado como a Xunta de Galicia têm, e tivérom, a possiblidade de reforçar o nosso sector agroalimentar. A realidade mostra que muitas das decisons tomadas foram diretamente no sentido contrário.

–Podemos afirmar que continuamos a fornecer a Espanha (carne, leite, madeira, indústria transformadora...)?
Temos um importante papel no fornecimento dalguns produtos (leite, carne de vacún…). Sem embargo a nossa balança comercial agroalimentar exterior é deficitaría.  Isto deve-se por umha parte à nossa dependência exterior no abastecimento dos produtos de origem vegetal, em parte relacionado com o modelo gadeiro que se impujo.

Por outra parte, a esse papel periférico ao que aludimos anteriormente, no que produzimos matérias-primas ou produtos transformados de escasso valor acrescentado, mas importamos os produtos de maior valor, às vezes, elaborados com as nossas matérias-primas. Na produçom florestal vemos umha situaçom similar, produzimos grande quantidade de eucalipto ou produtos de primeira transformaçom (taboleiro, pasta de papel), mas a indústria de segunda transformaçom é muito fraca.

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