luns 19/04/21

Os bispos USA e Biden

Uma companheira nestas páginas de opinião dizia recentemente que “na Conferência Episcopal estão para não lhes fazermos caso”. Outras mulheres católicas têm sido mais contundentes e cantavam há anos: “Imos queimar a Conferência Episcopal por machista e patriarcal”. Mas não vou falar hoje da CE Espanhola, mas da CE Norte-americana, ainda que quede algo mais longe. A muitos leitores isto trazerá-os ao pairo, mas aos que temos á Igreja como a continuadora, ainda que mal, do projeto de Jesus de Nazaret, não nos dá igual que esta atue dum jeito ou de outro.

Por isso, chamou-me a atenção um comunicado de “Faithful America” (Crentes de América) que chegou à minha caixa de correios pedindo-me o apoio frente a um caso escandaloso. Denunciavam a Conferência Episcopal Norte-americana que diz que Biden –segundo presidente católico da história dos EEUU– não pode presentar-se como bom católico por não estar contra a lei do aborto que aprovou o seu partido. Alguns bispos dos EEUU, dos que um deles é presidente do “Comité pró-vida” –Joseph Naumann, mais crítico com Biden do que o foi nunca com Trump–, diz que o novo presidente deve deixar de ir comungar por isso.

Já anteriormente, o arcebispo de Nova Orleans erguera uma polémica contra as vacinas do novo governo, porque a de Johnson&Johnson estava vencelhada com as células mãe. “Isto é muito perigoso”, diz com razão o professor jesuíta Anthony Egan; o papa Francisco deu-lhe a razão.

Pelo contrário, outros bispos não estão por essas. Pensam que as políticas de Trump foram tão mortíferas contra a Covid, a separação familiar ou a mudança climática, que o bispo John Stowe chamou ao ex-presidente um “anti-vida”.

Certamente, a Igreja norte-americana precisa líderes que prestem atenção às questões da vida; mas mais às pessoas que vivem que as que podem chegar a fazê-lo. Isto é, à justiça social e racial, aos direitos dos que menos podem e das minorias, à imigração, à mudança climática... E particularmente denunciar o armamentismo e o belicismo USA, como têm feito há anos.

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