O declínio da Europa
Dia após dia, ao ler as notícias internacionais, observamos a cada vez menor relevância da União Europea nas decisões importantes, não mais em assuntos mundiais, mas sim naqueles que a afetam diretamente. E isso apesar de a Europa estar mais unida do que nunca ao longo da sua história, ou melhor, a sua perda de relevância deve-se precisamente ao seu processo de unificação política. Mais ainda, atrever-me-ia a afirmar que, caso este processo de integração continuasse, ou seja, integrando a Ucrânia, a Geórgia ou a Moldávia, a irrelevância seria quase total. Quanto maior é, mais ineficaz se torna e menor é a sua capacidade de influência. A integração política não funciona de forma exponencial, de tal forma que uma unidade política que integra outras menores não tem necessariamente maior influência do que a soma das suas partes; além disso, nem mesmo no caso da União Europea o produto resultante iguala a soma da influência que cada um dos seus membros poderia ter separadamente.
Dous casos recentes podem ilustrar este fenómeno. O primeiro, e para mim o mais significativo, são as conversações de paz entre Trump e Putin no Alasca, das quais está excluída qualquer representação europea, incluindo, no momento em que escrevo, a de Zelenski, embora este possa ser ao final convidado, apesar de se tratar de uma guerra no seu espaço e de os europeus serem o principal sustento económico dos ucranianos. Parece que os líderes do nosso continente estão a pressionar para que ele esteja presente, garantia quase certa de que não estará, a menos que Trump decida o contrário. A eles será apresentado o resultado da negociação como um facto consumado, ainda que eu não acredite que o resultado seja especialmente favorável aos russos, e veremos então qual será a sua reação, mas intuo que consistirá em proclamar firmeza e lealdade eterna à Ucrânia, propor a sua adesão à UE e depois não fazer nada e lamentar a falta de influência europea no cenário internacional.
A segunda já aconteceu, embora as consequências ainda estejam por ver, e refere-se ao acordo sobre tarifas entre a UE e os Estados Unidos, no qual foi aceito um aumento das mesmas sem represálias por parte europea. No mesmo acordo, foi acordada uma obrigação irreal de adquirir produtos energéticos norte-americanos no valor de várias centenas de milhares de milhões de dólares. Ainda que muitos analistas insistam no contrário, a negociação das tarifas não foi tão má como parece, e, acima de tudo, o compromisso de adquirir produtos energéticos é impossível de cumprir, como ambas as partes sabem, pois não se pode obrigar as empresas privadas a comprar bens que não querem. Mas acontece o mesmo com os gastos em armamento, que também não serão cumpridos. O importante é que si serão adquiridas mais armas e combustíveis do que antes, mesmo que seja apenas para manter as aparências, algo que Trump sabe bem.
O problema é outro: é a própria encenação dos acordos. Antes, pelo menos, mantinham-se as formas e manifestava-se algum respeito pelos europeus, consultando-lhes a opinião, agora nem isso. Também a atitude europeia é diferente, agora parece que manifestam uma submissão fingida com a idea de não fazer nada depois. Mas esta é a postura de um subordinado perante um chefe a quem pretende desobedecer, não a de uma potência que fala de igual para igual com o seu interlocutor. É hora de assumir que a Europa Unida tem muito pouco a oferecer à política mundial, pois o erro é que pensamos que ela poderia fazer algo e não pode. Mesmo que quisesse fazê-lo.
Dous casos recentes podem ilustrar este fenómeno. O primeiro, e para mim o mais significativo, são as conversações de paz entre Trump e Putin no Alasca, das quais está excluída qualquer representação europea, incluindo, no momento em que escrevo, a de Zelenski, embora este possa ser ao final convidado, apesar de se tratar de uma guerra no seu espaço e de os europeus serem o principal sustento económico dos ucranianos. Parece que os líderes do nosso continente estão a pressionar para que ele esteja presente, garantia quase certa de que não estará, a menos que Trump decida o contrário. A eles será apresentado o resultado da negociação como um facto consumado, ainda que eu não acredite que o resultado seja especialmente favorável aos russos, e veremos então qual será a sua reação, mas intuo que consistirá em proclamar firmeza e lealdade eterna à Ucrânia, propor a sua adesão à UE e depois não fazer nada e lamentar a falta de influência europea no cenário internacional.
A segunda já aconteceu, embora as consequências ainda estejam por ver, e refere-se ao acordo sobre tarifas entre a UE e os Estados Unidos, no qual foi aceito um aumento das mesmas sem represálias por parte europea. No mesmo acordo, foi acordada uma obrigação irreal de adquirir produtos energéticos norte-americanos no valor de várias centenas de milhares de milhões de dólares. Ainda que muitos analistas insistam no contrário, a negociação das tarifas não foi tão má como parece, e, acima de tudo, o compromisso de adquirir produtos energéticos é impossível de cumprir, como ambas as partes sabem, pois não se pode obrigar as empresas privadas a comprar bens que não querem. Mas acontece o mesmo com os gastos em armamento, que também não serão cumpridos. O importante é que si serão adquiridas mais armas e combustíveis do que antes, mesmo que seja apenas para manter as aparências, algo que Trump sabe bem.
O problema é outro: é a própria encenação dos acordos. Antes, pelo menos, mantinham-se as formas e manifestava-se algum respeito pelos europeus, consultando-lhes a opinião, agora nem isso. Também a atitude europeia é diferente, agora parece que manifestam uma submissão fingida com a idea de não fazer nada depois. Mas esta é a postura de um subordinado perante um chefe a quem pretende desobedecer, não a de uma potência que fala de igual para igual com o seu interlocutor. É hora de assumir que a Europa Unida tem muito pouco a oferecer à política mundial, pois o erro é que pensamos que ela poderia fazer algo e não pode. Mesmo que quisesse fazê-lo.