Opinión

Maggi

Celebramos esta Semana Santa com a guerra presente cada dia; morte e destruição, ódio e desejos de vingança. Numa celebração da comunidade, Christina trouxe o nome de Maggi e eu lembrei o nosso encontro na Corunha no 2007.

Marguerite Barankitsé é de Burundi. Viveu em primeira pessoa as atrocidades que padeceu o seu país e o de Ruanda na década dos 90; a matança entre tutsis e hutus com mais de 100.000 mortos. Não fora só um conflito tribal, mas o resultado de interesses políticos nos quais estiveram implicados países ocidentais.

A sua arrepiante história é dos dias das matanças no 93. Uns tutsis colheram-na a ela, a sua amiga Juliette –uma tutsi que casara com um hutu– e aos seus filhos. Antes que a degolaram com o seu home, pôs os filhos nos braços de Maggi –também tutsi–, pedindo-lhe que os cuidara como seus. "Assim imos castigar os tutsis que queiram defender aos hutus -disse um soldado a Maggi-. Assim imos tambén cortar-te a cabeça a ti se o fazes". Violaram-na e maltrataram-na, mas Maggi ofereceu-se a fazer-lhes a ceia e falou longo com eles; finalmente deixaram-na livre com os nenos. Estas crianças foram a origem das suas "Maison Shalon", nas quais foi acolhendo milheiros delas nos anos seguintes. Antes, Maggi teve que enterrar com as suas mãos os centos de hutus que assassinaram a machetaços na sua aldeia.

Porém, Maggy não é uma mulher amargada e cheia de ódio, mas profundamente cheia de compaixão e perdão, de fé, esperança e amor; uma fervente cristã com uma incredível força interior. "O amor sempre ganha –dissera-nos–; as pessoas que não aman são umas amargadas e fracassadas". "Necessitamos converter-nos de verdade ao amor".  As suas palavras e os seus feitos são expressão da mensagem e a praxe não violenta de Jesus de Nazaret que celebramos a semana passada. Ele foi o justo crucificado, como tantos outros inocentes na história. Venceu o ódio com a força do amor, a violência com a força da paz, a morte com a força da Vida. A paixão de Jesús é o melhor tratado da não violência; ainda que fora atraiçoado pelos seus mesmos seguidores ao longo de vinte séculos, como denunciou Tolstoi e tantos outros antes e depois. Mas a sua mensagem segue viva. Valerá tambem agora em Ucrânia?

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