Opinión

Um arcebispo galego valente (II)

Afirma este respeitável clérigo, Santiago Agrelo, que “Esses são os dous caminhos que todo homem deve escolher, o de escalar para intentar ocupar o lugar o lugar de Deus ou o de baixar para ocupar o lugar revelado em Jesus de Nazaré, dando vida aos demais”. Creio que este é um dilema falso, tanto referido aos hipotéticos e inexistentes Adão e Eva, como à humanidade atual. Este relato e outros como o da Torre de Babel, só pretendem rebaixar o ser humano em aras de enaltecer a um deus despótico e zeloso dos seus próprios filhos; é uma manifestação da constante inquina do cristianismo contra este mundo em aras de prestigiar o mundo de além-túmulo, que é o produto que estão a vender. É que acaso é mau que um filho intente emular a seu pai? E que acaso o divino que há em nós não é precisamente o que nos aparenta com Deus? Eu creio que todo pai deseja que os seus filhos sejam os melhores, que os superem a eles, porque isso indica que a sua semente produz os melhores frutos e eles se vem enaltecidos neles.

Referente ao tema do aborto afirma que “estar machucando continuamente com o tema do aborto o que provocou, possivelmente é um aumento dos partidários do aborto. Se em vez disso nos tivéssemos acercado à mulher que se encontra nessa situação, perante a perspectiva dum aborto na sua vida, teríamos reduzido já muitíssimo o número de abortos”. Creio que Santiago Agrelo, igual que o papa Francisco, têm razão quando insistem que foi desacertado centrar-se no tema do aborto e, em geral, nos temas relacionados com a sexualidade, de tal modo que a ética cristã que conhece o homem de a pé é basicamente a referida à moral sexual e reprodutiva, pregada por fieis que têm por fundador a uma pessoa que pregava a castração polo reino dos céus, e por principais inspiradores a teólogos misóginos e misossexuais, especialmente a Jerônimo de Agostinho.

Relatos como o da Torre de Babel só pretendem rebaixar o ser humano em aras de enaltecer a um deus despótico e zeloso

A Igreja, que protagonizou a maior repressão sexual da sexualidade da história, e desacreditou até limites incríveis a sexualidade incluso no seio do matrimônio e o matrimônio mesmo, em aras de exaltar a virgindade e o celibato, recordemos que o papa Gregório I afirmava que o ato sexual nunca pode dar-se sem pecado, quiçá não seja a melhor conselheira nestes temas, por muito que aspire a este rol. Convém também lembrar que o cristianismo foi uma máquina de separar matrimônios de clérigos, que viviam casados tranquilamente, para impor-lhes coativamente a castidade que foi o combate em que mais empenho pôs. Os clérigos primeiro devem assumir que a sexualidade é uma pulsão humana fundamental, um integrante básico da natureza humana, e que a qualidade das pessoas não depende de se esta necessidade é mais ou menos premente nuns seres humanos que noutros.

A respeito duma pergunta referida ao céu e ao inferno responde Agrelo: “não me importa o céu e não me importa o inferno; quer dizer, não me importa o que há depois da morte. Não me importa. Isso deixo-lho a Deus, deixo-lho a meu Senhor, não tenho que preocupar-me do que venha depois da norte, tenho que preocupar-me do que há antes da norte. E o que há antes da norte são seres homens, mulheres e meninos que nas suas vidas não conheceram mais que o sofrimento”. É louvável o giro deste autor de centrar-se nos seres humanos, o qual nos lembra aos teólogos da morte de Deus, e  de olhar para a terra e para a vida presente em vez de fazê-lo para o céu e a vida futura, mas este giro somente pode ser real e produtivo se se parte do que realmente são ambos mundos.

Creio que Santiago Agrelo e  o papa Francisco têm razão quando insistem que foi desacertado centrar-se no tema do aborto

Não vale deixar um deles nos bastidores, e que desde estes, como uma espécie de nebulosa tanto lógica como ontológica, determine o mundo presente. A solução de Agrelo reduz o cristianismo a uma espécie de ONG de âmbito social, que ainda que possa ser mais interessante, não é propriamente o que se entende por religião. Não seria muito melhor, ainda que mais dificilmente irrealizável, que Deus se ocupasse dos males do mundo presente e que nós nos limitássemos a recitar responsos, jaculatórias e dar-nos golpes de peito?

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