Opinión

Igreja e pederastia

Retomo o tema Igreja ao fio da manifestação da ministra de “Derechos Sociales”, Ione Belarra, no Pleno do Congresso dos Deputados o 15 de abril, no debate de lei de proteção à infância, de que “a Igreja católica foi cúmplice demasiadas vezes neste país encobrindo a violência sexual com as crianças, e isto tem que acabar”; o dia 19, no início da Assembleia Plenária da Conferência Episcopal Espanhola (CEE) chegou-lhe uma carta dirigida ao seu presidente, cardeal Juan J. Omella, remitida polo Ministério de Direitos Sociais que continha uma crítica para a Igreja pola sua escassa contundência do atuar contra os abusos sexuais no interior da instituição. A seguido a CEE respondeu com uma nota de imprensa na que repudiava as declarações porque “é uma acusação gravemente injusta que pretende sujar a atividade de milhões de pessoas durante décadas e não se corresponde com a verdade”, á que replicou a Diretora do Gabinete do Ministério em carta na que repassava a contundência do Papa Francisco contra essa lacra, e mantinha que “a Igreja católica espanhola fica longe de cumprir com os compromissos exigidos polo máximo responsável do Vaticano”.

De novo, como destacávamos em anterior artigo sobre a Igreja e as relações homossexuais, o Papa que se acerca mais ao discurso de Cristo, profundamente compassivo com todos especialmente com os mais fracos e necessitados, aparece menosprezado por grande parte da Cúria diocesana. Os feitos avaliam o contido da carta da Ministra, pois o próprio Arcebispado de Madrid tem reconhecido que desde o ano 2001 contabilizam 220 denúncias a sacerdotes por abusos; a plataforma Redes Cristianas considera que “as palavras da Ministra Belarra eram irrefutáveis à vista da quantidade de casos de encobrimento… e da pouca vontade por profundar na investigação interna de muitos bispos…”; em oito meses nas oficinas que as dioceses espanholas abrirem para atenção das vítimas de abusos da Igreja receberem-se oito denúncias e desde logo o protocolo não anima a denunciar, segundo conta de jeito pessoal ao jornal Público Javier, membro da Associação Infância Roubada, a quem na diocese de Astorga nem aceitaram os documentos que apresentou e o trataram como se for uma moléstia; o Arcebispado de Madrid, programa Repara, no último ano atendeu 75 vítimas diretas de abusos e dez familiares delas, dos que 27 casos ficavam relacionados com pederastia na Igreja. Indubitavelmente é inadiável a luita contra a pederastia e a Igreja, no que é de sua responsabilidade, deve prestar toda ajuda e adoptar a tolerância cero.

O debate traz-me á memoria um antigo artigo, intitulado “A confissão em idades temperás”, do mestre José González, que no número 134/2003 da Revista Encrucillada, manifestava que “há temas que gozam do status de ser tabús… mas falar há que falar deles, [...] um assunto que já começa a afetar a pessoas de mais de seis anos, que é o da confissão oral e individual das nenas e nenos, das e dos adolescentes…O que pode ser um bálsamo para um adulto pode chegar a ser um motivo de infelicidade para seres incapazes de discernir entre o bem e o mal, o lícito e o ilícito, que pode ser transcendente para o desenvolvimento da pessoa. O estamento eclesiástico teria que someter a uma crítica séria e livre de prejuízos um procedimento de terapia espiritual que não sempre esteve em vigor, apenas a partir do século VII e que hoje tal vez fosse chegado o tempo de procurar-lhe uma alternativa menos traumática. Cristo foi profundamente compassivo e preocupou-se por lhe facilitar a vida aos demais, além de formulismos e ritos inúteis”.

Desconheço a transcendência que puido ter esse artigo nos procedementos eclesiásticos, penso que nenguma modificação ao respeito, e com bastante possibilidade o ato da confissão de crianças e adolescentes constitua um risco iniciático de futuros abusos. Na luita sem quartel que deve emprender esta sociedade contra todo tipo de abuso, especialmente sobre os miúdos como elementos mais fracos, é preciso ir à origem do risco, evita-lo desde a sua criação e a advertência em Encrucillada 17 anos mais tarde segue a ser válida sendo um toque de atenção para todos.

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