sábado 23/01/21

O Governo do gas

Quase ao mesmo tempo que o gaseiro Maran Gas Efessos, procedente de Malabo atracava no peirao de Reganosa no concelho de Mugardos, Emilio Bruquetas, o seu diretor, comparecia ante a “Comisión para a reactivación de Galicia pola crise da covid-19”. Umha regasificadora que está funcionando sem licenzas, depois de 5 sentenças do Tribunal Supremo.

Quase ao mesmo tempo que o seu diretor realizava a prédica ambientalista a favor das energias renováveis, nas que incluem intencionadamente ao metano, o gaseiro iniciava umhas manobras de entrada na ria pondo em perigo a vida de milhares de pessoas que vivemos na sua contorna, com a proa cara umha regasificadora, que lhe aportou o passado exercício uns benefícios de 16 milhons de euros ao Grupo Tojeiro.

Quase ao mesmo tempo que Reganosa esterilizava com hipoclorito sódico mais de 32,8 milhos de toneladas de água da ria e a expulsa refrigerada, diminuindo a sua temperatura sobre uns 4,6 ºC, nos despachos da Comissom Europeia, os grupos gasistas estavam livrando umha dura batalha para conseguir nom ficar fora dos fundos Feder ou dos do Mecanismo de Recuperaçom e Resiliência. Porque o metano, principal componente do GNL, combustível fóssil, é responsável do 25% do aquecimento do planeta, e mais letal para o clima que o próprio CO₂.

A confusom, a desinformaçom e a falta de peso político de organizaçons que tenham como prioridade a loita contra o cámbio climático fai que a oportunidade de reformulaçom do modelo energético, que nos deu coma um agasalho compensatório a crise da Covid-19, vaia ser aproveitada polos lobys gasistas para beneficiar-se da torta de milhons de euros que se vam repartir para a recuperaçom económica na UE.

O Comité de expertos que vem acompanhando a Nuñez Feijoo desde o inicio da pandémia, do que forma parte o director de Reganosa, foi elaborando projetos nessa linha, e está moi pendente das decisons que se tomem em Europa. Projetos da velha guarda das multinacionais que operam na Galiza: Citroën, Inditex e Reganosa. A Xunta, junto ao Grupo Tojeiro, controla o 85% da regasificadora e através das empresas de serviços e investimentos conformam unha multinacional, que mantém negócios em Malta, Alemania, Italia, Kuwait, Brasil, Chile, Canadá, Ghana e Mozambique e tem na atualidade umhas 125 pessoas en plantilha.

Investimentos milhonários que nada tenhem a ver com a potenciaçom dos nossos recursos naturais, a defensa dos nossos sectores produtivos tradicionais e do nosso médio ambiente, linhas básicas que devera seguir qualquer política poscovid-19 na Galiza. Mesmo contabilizando a potencia em criaçom de emprego, dos distintos modelos energéticos, a aposta polo gás é a menos rendível.

A Comisom Europeia está desenvolvendo critérios técnicos para a aprovaçom de projetos para a mitigaçom e adaptaçom ao cambio climático. Qualquer projeto que inclua o metano, ou a tecnologia biocida que Reganosa utiliza para a regasificaçom, tam destrutiva da biodiversidade e dos postos de trabalho na nossa ria; ou o seu funcionamento que pom em perigo a vida das pessoas, nom cumpre com os requisitos de sustentabilidade marcados pola UE, e polo tanto nom seriam merecedores dos fundos destinados à recuperaçom. Mas quem está acostumado a viver por acima da lei, gozando de impunidade, pode pensar que desta também se livrará, seja com projeto de carga de combustível para buques (HUB), seja para a produçom de hidrogeno utilizando eletricidade a partir do gás ou pensando na fabricaçom de “metano sintético”.

O Ministério de Transiçom Ecológica concede agora a Declaraçom de Impacto Ambiental a Reganosa, paso previo para dar-lhe autorizaçons e legaliza-la. Nom responderam às alegaçons feitas em setembro do 2019 por 19 associaçons e 244 vizinhas e vizinhos da contorna da ria.

Coma a George Floyd, intentam que deixemos de respirar, umha e outra vez colocam a sua bota na nossa cabeça, mas Reganosa segue supurando corrupçom, ilegalidade, e perigo para o medio ambiente e para milhares de vidas.

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