luns 24.02.2020

Sobre medos e outras considerações

Desde a noite do 26J, entre outras, levo escutado a verba MEDO reiteradamente como argumento para explicar algum aspecto dos resultados. Que, pelos vistos, semana e meia após da jornada eleitoral só deixa satisfeito, em aparência, a um PP obrigado sair a da soledade do seu discurso e, entendo, que forçado pelas circunstâncias a mudar a praxe de não escutar ninguém. Pelo que ganhar o que se diz ganhar... Se houver uma assunção sincera do que o nosso é um sistema parlamentar e não presidencialista, acordaríamos todos que ganhou o parlamentarismo. E bom que assim for. 

A mim o que realmente dá medo, mais que medo pavor, é a teima de governar por decreto. E se quem representa a cidadania não tiver medo, impulsaria medidas para erradicar o decreto como instrumento do executivo para fazer o que quiser sem considerar e confrontar opiniões discrepantes, até o de agora merecedoras só de consideração contra, e não de achegas à convivência. 

Escutar sem criminalizar. Tal vez, da nossa inteligência depende superarmos essa filosofia de “quem não esta comigo, está contra de mim”. Uma filosofia de amor à ração exclusiva, que também causa medo.

Dá medo o gosto dos políticos por rifar de seguido á cidadania. Uma cidadania que bastante tem com suportar normas e leis que só mermam os seus direitos, ante a passividade de quem justifica o não poder fazer nada por que Bruxelas... Que grande invento o de Bruxelas. Quando queiram eludir uma responsabilidade ou justificar uma promesa não cumprida, só tem que dizer “Bruxelas”.

E a cidadania tem direito a saber que é que se pretende fazer com o nosso futuro. E quando alguém vai mudando o seu discurso pensando no rédito eleitoral transmite percepções de falsidade. E o falso, também dá medo.

O melhor que deixou Rousseau foi isso de que a soberania se delega. Por isso cada vez que se pergunta, respostamos. E na resposta influem as esperanças. Também os medos.

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