Opinión

'Salvar nossos oceanos. Proteger o nosso futuro'

Declaração de Lisboa: "Um profundo pedido de desculpas em nome de nossa geração pela forma como usámos o mundo e um compromisso de que passaremos o resto dos anos a identificar soluções para sair dos terríveis problemas que criámos".

Todas as formas de vida dependem da saúde dos oceanos pelo que travar seu deterioro torna-se imprescindível

Entre os dias 27 de junho e o 1 de julho de 2022 decorreu em Lisboa a Conferencia Mundial dos Oceanos das UN. Organizada em parceiria entre a Quênia e Portugal estudou a sua problemática global. A transcendência destes para a vida no Planeta, as suas ameaças, seu estado de degradação e os perigos que seu deterioro ambiental tem para os paises ribeirinhos e para o conjunto total dos ecossistemas da Terra. Também as possibilidades de reconduzir o estado de degradação em que estes se encontram. Todas as formas de vida dependem da saúde dos oceanos pelo que travar seu deterioro torna-se imprescindível. Uma das conclusões da declaração de Lisboa é que os tempos são chegados: Há que atuar e já. Mas infelizmente nesta cimeira não se chegou a acordos vinculantes por parte dos estados que levassem a ditar leis internacionais de proteção dos Oceanos. Apenas o compromisso de proteger como mínimo o 30% dos ecossistemas dependentes de cada estado. Incrementar ajudas económicas para os países ribeirinhos. Não vi que se questionasse o modelo de transporte marítimo que alimenta o monstro do consumismo e da globalização e que submete a grande stress ao meio marinho.

Estamos ao borde do colapso. Estamos num bom sarilhe. Somente fica a racionalidade do decrescimento. E tem que ser já.

Os oceanos controlam o clima do Planeta e nossa vida quotidiana está totalmente afetada por eles. Devido ao aquecimento global o anti-ciclão das Açores expande-se até bem entrado o outono e mesmo o inverno, bloqueando o passo a depressão de Islândia que traz as borrascas que alimentam os aquíferos da Galiza e de Portugal. Estamos a ter perigo de seca para este verão. A corrente cálida do Golfo está ralentizando como consequência das alterações climáticas o que afeta a circulação global das águas. A poluição marinha é provocada por dejetos provenientes do nosso modelo de consumo. Nomeadamente os plásticos, que vão parar a barriga dos peixes que comemos transformados em micro-plásticos que são acumulativos. A acidificação das águas dos oceanos é outra das consequências do aumento do CO2 na atmosfera procedente dos combustíveis fósseis assim quanto a subida do seu nível, que destrói os recifes coralinos com a grande biodiversidade que albergam.

A ciência diz que não há solução para os problemas ambientais a menos que deixemos o modelo capitalista de crescimento continuo

A problemática global da Terra está vinculada a saúde dos Oceanos. Não é alheia as fontes de energia necessária para que o ecossistema humano mantenha seu funcionamento. Um dos compromissos da Declaração de Lisboa é promover as energias renováveis. Mas nada vi sobre reduzir consumos e deter o crescimento. Numa louca corrida para adiante os países empenham-se em tudo encher de ventoinhas, quer montanhas quer mares ribeirinhos. Estão projetados vários parques eólicos a menos de 12 km da terra (130Km2 São Brandam e 128Km2 São Cibrão). Em Total 70 moinhos e 900 megawatios. Estaca de Bares e Cabo Ortegal irão ficar bloqueados por uma grelha de aerogeradores numa zona que regista o maior numero de espécies de aves migratórias de todo o Atlântico. Num banco pesqueiro fundamental para Galiza. As confrarias já se manifestaram em contra consensualizando o Manifesto de Burela. A ciência nos diz que não há solução para os problemas ambientais a menos que deixemos o modelo capitalista baseado no crescimento continuo. Estamos ao borde do colapso. Não há materiais bastantes para construir os moinhos programados nem energia para os fabricar, pois o pico do petróleo alcançou-se em 2005 (segundo a Agência Internacional da Energia). O gaze tem também limite. Estamos num bom sarilhe. Somente fica a racionalidade do decrescimento. E tem que ser já.

"O nosso oceano, o nosso futuro, a nossa responsabilidade".

 

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