Opinión

Eleições Municipais no Brasil, terminados primeiro e segundo turnos, considerações gerais

Passado o processo eleitoral ficam algumas considerações. No Brasil são realizadas eleições de quatro em quatro anos, intercalam-se eleições municipais com eleições para presidente, governadores de estados e os parlamentos dos estados e do pais. Nesse ano houveram então eleições municipais para prefeitos e vereadores e daqui a dois anos haverão eleições nacionais. O Brasil tem um regime político presidencialista, elegem seus prefeitos, governadores e o presidente pelo voto direto, nos municípios onde há mais de 200 mil eleitores pode haver necessidade de segundo turno na votação desde que nenhum candidato obtenha 50% dos votos válidos mais 1 voto, isto é, maioria absoluta na votação de primeiro turno. Diferente da Espanha no Brasil não votamos em listas de candidatos, votamos individualmente em um nome de candidato e podemos votar para o executivo em um partido e para o legislativo em outro partido. A votação de cada turno ocorre somente em um dia, geralmente se usam os domingos e o voto é obrigatório, se o eleitor não votar terá depois de fazer uma justificativa e pagar uma pequena multa. O voto é realizado em urna eletrônica, muito rápido e muito seguro quanto a fraudes, na última votação dia 29 de novembro a apuração de votos no segundo turno estava terminada em todo o pais depois de 4 horas de apuração e não houve nenhuma denúncia de fraudes.

Houve eleições em primeiro turno dia 15 de novembro e segundo turno dia 29 de novembro. Entre as principais cidades do Brasil com segundo turno temos São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Curitiba, Salvador, Recife, Fortaleza, Belém, Manaus e Goiânia que são capitais de alguns dos estados mais importantes.

O Brasil possui 26 estados e mais o Distrito Federal onde fica a capital Brasília. O Distrito Federal elege só o governador distrital não há eleição para prefeito em Brasília. Das 26 capitais de estados foram eleitos  um prefeito de esquerda e quatro de centro-esquerda as demais ficaram entre a direita e a centro-direita e um estado teve uma capital com prefeito eleito com um partido de extrema direita. Na região nordeste quatro governadores de centro-esquerda, Fortaleza no Ceará e Aracaju em Sergipe elegeram prefeitos do PDT (Partido Democrático Trabalhista) e em Recife  no estado de Pernambuco e em Maceió no estado de Alagoas se elegeram candidatos do PSB ( Partido Socialista Brasileiro), nos estados da região norte houve uma grande vitória da esquerda em Belém no estado do Pará, lá venceu o PSOL (Partido Socialismo e Liberdade).

O Brasil possui 26 estados e mais o Distrito Federal onde fica a capital Brasília.

Nas duas maiores cidades do país São Paulo e Rio de Janeiro, que ficam na região sudeste, tivemos vitórias em São Paulo do PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira) partido esse do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, de centro-direita e no Rio de Janeiro  vitória do DEM (Democratas) partido originário da extinta ARENA (Aliança Renovadora Nacional) partido de sustentação do regime militar que governou o Brasil de 1964 a 1985.

Apenas em uma capital ganhou um partido de extrema direita, foi em Vitória capital do estado do Espirito Santo, lá ganhou o Republicanos, partido dos filhos do presidente. De 13 cidades onde o presidente Bolsonaro, sem partido, apoiou abertamente candidatos apenas conseguiu eleger prefeitos em duas cidades do interior com pequena importância politica e econômica. Houve a nítida impressão que alguns candidatos quiseram distanciar suas campanhas da figura do presidente.

Em relação aos resultados e tendências para o futuro e o que nos espera daqui há dois anos, dentro desse movimento de realinhamento entre a extrema direita e o centro, percebe-se uma perda de poder político de Bolsonaro, sendo ele um dos grandes perdedores nessa eleição. O PT (Partido dos Trabalhadores) que já chegou a ter 9 prefeitos de capitais agora não elegeu nenhum e sofre pelo desgaste politico, corrupção e má gestão. Houve uma aglutinação de poder em direção ao centro, o abandono do radicalismo de direita e por outro lado uma forte perda de influência do maior partido de esquerda.

Apenas em uma capital ganhou um partido de extrema direita, foi em Vitória capital do estado do Espirito Santo, lá ganhou o Republicanos, partido dos filhos do presidente.

No Brasil a convergência a um centro ideológico de vários parlamentares de vários partidos é chamado de Centrão, não é um partido , reúne políticos de vários partidos de direita e de centro direita, representam para nós o que é de mais fisiológico, isto é, uma politica baseada em troca de favores e cargos em jogo de influências e de poder, esse grupo que não é um partido mas uma corrente de poder é o maior vencedor das eleições municipais, confirmou seu poder e a nos últimos tempos tem também muita influência no governo federal.

Por outro lado há o desgaste do PT, outrora maior partido do país, hoje ficando apenas em décimo primeiro partido em número de cidadãos sobre suas administrações municipais, isso nos mostra o desgaste de Lula e que o PT necessita fazer a sua autocritica. PT e PDT, de Lula e Ciro Gomes após tréguas rápidas voltam a disparar um contra o outro, nenhum vai ceder em prol do outro ou de um terceiro, acredito que se depender dos dois não haverá uma união das esquerdas, cada um quer unir desde que ele seja a pessoa a comandar essa união.

Positivamente, a esquerda viu surgir de uma dissidência ocorrida a alguns anos do PT, o PSOL (Partido Socialismo e Liberdade), um partido que aparenta ter um novo fôlego político não tendo sido tão desgastado nos últimos 4 anos, com boas propostas para o enfrentamento das desigualdades sociais, seu líder Guilherme Boulos ficou em segundo lugar na eleição para prefeito da cidade de São Paulo. Ele disse após as eleições em entrevista que pretende unir as esquerdas para 2022.

Concluímos que nessa eleição houve um esvaziamento do voto no populismo de extrema direita e uma convergência do eleitor em direção da centro-direita, isso mostra uma aparente tendência para as próximas eleições presidenciais, eleitores cansados de luta ideológica e o aparecimento do PSOL como  força política pode vir a apresentar-se como  unificador da esquerda. Embora não tenham sido eleitos muitos prefeitos as esquerdas tiveram uma votação muito significativa e mostram força ainda que dividida.

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