Opinión

A dominação de "sê feliz"

Recentemente chamou a minha atenção um artigo dum filósofo surcoreano (Byung-Chul Han) que falava duma nova forma de dominação capitalista que era "sê feliz"; em inglês, o conhecido "be happy". Face ao tradicional espírito da disciplina –que muitos consideramos um elemento imprescindível na vida pessoal e social, nas ações coletivas que cambiaram e cambiam a injustiça e as opressões deste mundo–, contrapõe-se o espírito do hedonismo, "que gosta e desfruta de si mesmo –diz o filósofo citado– sem orientar-se de nenhuma maneira a um fim superior, desenvolvendo uma postura de rejeitamento cara a dor". Deste jeito, as obrigações deixam passo à "auto-otimização" e o bem-estar. Mas isto não é inocente, esse bem-estar pessoal produz para o capital uma ininterrompida capacidade de rendimento, e vem a ser-lhe muito eficaz. O submetido nem sequer é consciente do seu submetimento; apesar de que o imperativo "sê feliz" gera "uma pressão mais devastadora que o imperativo sê obediente": "o que hai que melhorar não são as situações sociais, mas os estados anímicos".

Coincido totalmente. Já tenho escrito há anos sobre a importância de fazer algo –um compromisso pessoal ou social– "porque devo", porque assumo uma obriga, mais que porque "me apetece". O que considero importante não o fago pelo segundo, mas pelo primeiro; é a necessidade duma disciplina para levar adiante compromissos que supõem um esforço necessário. Certo que estamos chamados a ser felizes; porém, a felicidade autêntica, como o amor, supõe esforço e mesmo sofrimento. Como dizia S. Juan de la Cruz: "Se não estás disposto a sofrer, não ames". Não é questão de masoquismo ou aturar maus-tratos, mas da dificuldade que supõe o compromisso do amor, a correspondência e a fidelidade dos amantes... Hoje semelha que esse esforço só paga a pena para ganhar dinheiro ou para estar guapo/a, ser socialmente "guay", mesmo até o castigo do corpo.

Com estas palavras despido-me de "O lubre", espaço ao que acudi pontualmente cada semana ao longo de três anos, desde o começo da andaina de Nós, que oxalá viva mil primaveras mais. Porem, veremo-nos noutros espaços deste diario.

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