Opinión

Black day

Na sexta-feira da semana passada, a gente botou-se em massa aos comércios das cidades pelo que lhe chamam black friday; ainda que outros não gastamos uma cadela. Outra moda mais que véu dos USA e uma orgia de consumismo que converteu a jornada num verdadeiro black day ou dia negro para o nosso planeta.

Os ecologistas de Greenpeace denunciaram-no, cobrindo com pintura negra os escaparates de algumas megatendas de moda rápida em Madrid, e colando umas grandes etiquetas: “Sem stock. Planeta esgotado”. Estas firmas de roupa representam os excessos dum consumismo que vem ser um desastre social e ambiental. Porém, a moda que muda cada vez mais rapidamente e estas cadeias fast fashion de recámbio desenfreado e inútil de roupa que não chega a gastar-se, são só a ponta do iceberg do modelo consumista, pois a fúria de consumo de novos produtos eletrônicos não é menos.

Como é sabido, com o atual ritmo de consumo em Europa precisaríamos três planetas para suprir a demanda de artigos de consumo. O Americam Way of Life dos filmes norte-americanos de há anos –do qual fazíamos uma crítica volvendo as siglas em WASP (brancos, anglo-saxões e protestantes)– chegou à velha Europa, e já é uma penosa realidade entre nós à que se resiste cada vez menos gente; particularmente a mais nova com alguns cartos, tão rebelde para outras coisas.

A civilização de consumo vai fazendo dia após dia um mundo de consumidos. Os arqueólogos do futuro toparão os nossos depósitos de lixo como uma das pegadas características desta civilização, pois não somos capazes de consumi-lo tudo. Mais ainda, a mais consumo mais desperdícios. Os três R da ecologia (restringir, reutilizar, reciclar), que nos nossos anos moços e muito mais nos dos nossos velhos cumpríamos sem saber que era isso da ecologia, é uma lição que hoje se diz, mas não se aplica.

Ou muda esta indústria do consumo, ou afogaremos o mundo consumindo-o. Governos, empresas e cidadãos têm de fomentar alternativas como a reutilização, a reparação, a segunda mão, e mesmo a restrição do consumo e da produção, ou... de tanto comermos o mundo acabaremos com ele, e não temos outro de recâmbio.

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