luns 20.01.2020

Catalunha e Escócia

Eu sempre digo à minha filha que há que pedir as cousas com educaçom

Eu sempre digo à minha filha que há que pedir as cousas com educaçom, mas se o interlocutor semelha nom querer escutar, às vezes nom fica outra, há que berrar. A pesar de tudo, a sociedade civil catalá dumha forma civilizada, bem organizada e mesmo lúdica, expressou o direito a decidir o futuro da Catalunha, falou alto e claro. E lá fôrom seis anos desde todas essas manifestaçons multitudinárias, as mais importantes da história de Europa nas últimas décadas. Também há seis anos dessa primeira consulta pola independência que se organizou o 13 de setembro de 2009 em Arenys de Munt, daquela era impossível imaginar tudo o que viria depois. Mas o ronsel de consultas que partiu da costa do Maresme para se estender por toda a Catalunha foi um êxito. A pesar de nom ter um carácter vinculante, a participaçom maciça sentou um precedente histórico. 

Em 2010 quando se celebrou o aniversário dessa primeira consulta, ergueu-se um monumento-quatro vigas de ferro à imagem da bandeira catalá. Das pessoas que convidárom a intervir nesse “Aplec per la independència” eu lembro especialmente as palavras de Moisès Broggi- médico catalám, grande humanista e defensor da independência de Catalunha-. Mentres falava Broggi reinou um silêncio reverencial. Aos seus 102 anos, com um discurso claro e lúcido, o cirurgiám catalám sublinhou que essas consultas eram dumha importância extraordinária para a história de Catalunha, som a voz do povo e abrem as portas do “espírito da Catalunha” que non deixa de manifestar o seu desejo  de independência. Engadiu que desde que por questons dinásticas no século XV Catalunha ficou com Castela, as relaçóns nunca forom boas, nim justas, nim igualitárias. E conclui com um chamamento a uniom das forças políticas a favor da independência. O que aconteceu despois desse chamamento já o conhecemos. 

"A dia de hoje ainda há muita gente que nom entendeu o que está a passar em Catalunha, nom entendeu que o autêntico protagonista é o povo"

Nom tivemos as coisas fáceis, nom tivemos um David Cameron, mas polo contrário temos um presidente que coma demostrou na entrevista em “Onda Cero” é quem de desmontar en trinta segundos a estratégia do seu governo, o discurso do medo. Os meus parabéns a Carlos Alsina, o jornalista, porque os médios de comunicaçom nom se caracterizam pola honestidade e pluralidade política. 

A dia de hoje ainda há muita gente que nom entendeu o que está a passar em Catalunha, nom entendeu que o autêntico protagonista é o povo, que é quem outorga legitimidade a todo este processo. Faltam escassas horas para que decorra o 27S. Seja como for, se os discursos cotizassem na bolsa de valores eu sei bem qual compraria, o do entusiasmo, o que diz que as coisas podem mudar e que nós, a gente, somos o motor dessa mudança. Nom deixem dar umha vista de olhos à capa do Sunday Herald na qual se celebra o primeiro aniversário do referendo escocês, diz com contundência: só é umha questom de tempo. “Lluminós i possible”, como diz o poeta catalám, assim é o nosso futuro.

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