Opinión

Serviços ecossistémicos

Nesoutro dia escutei alguém dizer que as montanhas galegas poderiam estar inçadas de ventoinhas (aerogeradores) porque "total ali não se dá nada". Isto é o mesmo que dizer que a selva amazónica pode ser transformada em pastos porque produziria mais cultivada de soja ou de palmas para azeite ignorando seu serviço de regulação ambiental de todo o planeta. Quem isto diz mostra uma grande ignorância e pouco respeito pola cultura. Os serviços ecossistémicos representam todo o que os ecossistemas aportam à sociedade humana e à biosfera em geral, segurando a saúde comum e a biodiversidade, assim quanto o seu mantimento ao longo do tempo. São indispensáveis para o sustento da vida no planeta tal e como nós a conhecemos. Mas também o são para manter a produtividade da Terra e para a nossa sobrevivência.

As florestas, os esteiros, as montanhas, os valados, as sebes arborizadas, os charcos prestam serviço ao conjunto da biosfera aportando oxigénio, garantido o ciclo hidrológico, temperando o clima, facilitando corredores biológicos para os seres vivos, aumentando a fertilidade ou evitando a perda de solo e sua erosão. Adoitam a agrupar-se em serviços de aprovisionamento (todos os materiais que os ecossistemas nos proporcionam, como madeira, água limpa, biomasa); de regulação, como controlo do ciclo hidrológico, do CO2 atmosférico, da erosão, controlo da biodiversidade; serviços culturais, relativos ao ocio, a saude-benestar e a cultura, e serviços de suporte, como é a biodiversidade, pragas e todos os anteriores garantindo os processos naturais do ecossistema. A avaliação dos serviços ecossistémicos não é fácil porque é complexa, como o é a vida. Mas é necessária num mundo que está afeito a tudo medir e quantificar com números. Normalmente apreciam-se mais quando faltam, como seria observar variações nos caudais de regatos, diminuição de espécies variação das temperaturas e das oscilações térmicas.

Depois de ter inçado toda a cordilheira do Xistral de ventoinhas, desde 2006, observa-se como as turfeiras de cobertor que caraterizavam o seu habitat diminiuiram pola sinergia estabelecida entre estes parques, pradarias artificiais e repovoamentos florestais de pinheiros e eucalitais. O efeito foi desastroso, porque estas turfeiras são ecossistemas que atrapam grande quantidade de carbono. Eram elementos beneficos para mitigar o cambio climático.

Com uma taxa de sequestro de carbono dez vezes maior à das massas arvoradas constituem o maior reservatório deste gaze (CO2) a longo prazo do suroeste europeu. Mas as serras foram cruzadas de inúmeras pistas para a instalação dos macro parques e os caminhos aproveitados para a instalação de pradarias artificiais que irão ter pouco percorrido temporal devido a que o ciclo hidrológico garantido polas turfeiras foi roto junto com o território. Ao serem destruídas o carbono e o metano nelas acumulado desprende-se para a atmosfera e colabora no processo de degradação da Terra e com o aquecimento global. Já avaliado desde 2013 em mudança do balance de sequestro (Ibader, USC). Aqui vemos como a ignorância do valor dos serviços ecossistémicos produz o efeito contrario ao que se procura com as industrias que promovem as energias chamadas limpas. Não se pode intervir na natureza sem conhecer as suas leis que são as leis da ecologia.

Os serviços ecossistémicos são importantíssimos na regulação do equilíbrio ecológico geral. Por isso defendemos valados, sebes, florestas, e outros elementos desconsiderados para a economia como os montes vizinhais, as tojeiras, as turfeiras de alta montanha e de cobertor, ou a terra a retalhos que carateriza o minifúndio galego altamente produtivo. A analise do Planeta-Vida tem de ser sistémica. Tudo nesta Terra viva está relacionado nas cadeias tróficas e energéticas dos ecossistemas. Não se pode destruir um elo da cadeia sem que toda ela se veja afetada. As turfeiras do Xistarl vêm funcionando como sumidoiros de carbono desde há mais de 20.000 anos. Os parques eólicos nele instalado têm menos de 20 anos, suficientes para inverter seu processo de reguladores das águas e dos gases atmosféricos para aceleradores do cambio climático. Insistimos na demanda dos cientistas que rodearam o parlamento da Espanha em 6 de abril: "Escutai à Ciència". Junto a demanda do povo galego em 5 de junho: Eólicas assim Não. Temos alternativa.

 

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