Opinión

Ula a nossa água?

Nestes dias estamos assistindo ao baleirado dos nossos encoros por parte das grandes empresas elétricas ao mesmo tempo que nos cobram a luz a preço exorbitado. Numerosas vozes se alçaram sobre as consequências ecológicas que este esvaziado brusco pode produzir. A energia que consumimos vem dum mix energético que implica ao gás natural. Espanha importa-o de diferentes países. O principal é Argélia. E chega até nós como gás liquido. Reganosa no Ferrol transforma-o  para o colocar no mercado energético. Rússia é a principal ministradora de gás para Alemanha e Holanda. E Rússia brinca com Europa fechando ou abrindo seu gasoduto Norterm 2 para incrementar preços segundo a sua conveniência. E o preço do mix elétrico em Europa vem marcado pelo elemento mais caro do conjunto. De maneira que pagamos a luz ao preço do gás natural ainda que nós tenhamos produção bastante vinda das nossas barragens, de nossos parques eólicos. Galiza poderia ser independente desde o ponto de vista energético. E com um preço menor do que atualmente pagamos. O Kw mais barato atualmente é o que se produz a partir da água. Por isso Iberdrola abre os encoros como o de Belesar e turbina água para produzir o máximo da sua eletricidade a partir da fração barata, para depois cobra-no-la ao preço do gás que é o mais caro. Cobram-nos toucinho a preço de solombo e isso não e justo.

A nossa água vai-se polas turbinas dos nossos saltos e nós pagamos a dependência de Europa e de Espanha com carrego aos nossos  “passivos ambientais”. As barragens criaram na Galiza grandes dramas sociais e ambientais, nunca compensados. Agora os antigos leitos dos nossos rios ficam a mercê dos negócios das grandes empresas extrativas, que desprezam os danos ecologicos produzidos com o súpeto esvaziado das presas. Podemos dizer que Galiza sofre a maldição dos recursos (Enrique Lijó, Os privilexios Ambientais). Para defender-mos a nossa terra e seu dons ambientais é preciso sairmos do colonialismo ecológico a que estamos submetidas. Eu faço isto extensivo a outros muitos lugares. E seria bem que se desse um maior equilíbrio e justiça ambiental por esses mundos fora. Somos solidárias e defendemos a equidade social e ambiental universal. Mas Galiza é nossa responsabilidade e temos a obriga de defender aqui o nosso ambiente, nossos ecossistemas e a saúde do nosso contorno. A água é um bem precioso. É um bem comum e como tal deveria de ser gerido. Agora caducam as concessões de mais de 24 barragens para aproveitamento hidroelétrico. Seria um bom momento para reclamarmos a titularidade destes para a Galiza e gestionar seu funcionamento de maneira social e ecológica. Inclusive recuperar os leitos dos rios deitando abaixo algumas dessas presas. Como já se está a fazer em diversos países como França ou EEUU. Mas segundo noticias (Nós, 26/8/21) o governo de Feijoo rejeita tomar este bem sob a sua responsabilidade. Promover deveriamos a produção energética em pequenas unidades e não em grandes barragens ou macro-parques eólicos.

Embora a Conselheira de Ambiente galega reclamou ao Miteco do governo Central sobre o baleirado injustificado das nossas barragens. Energia e água têm muito a ver. Água e vida são inseparáveis. Europa enunciou em 2000 a Diretiva Marco da Água que Espanha tem assinada desde 2003 e que obriga a proteção de todas as águas, mediante a regeneração dos ecossistemas de dentro dessas massas de águas e seus arredores, a redução da contaminação nas massas de água, a garantia duma utilização sustentável das águas por parte de particulares e empresas. Iberdrola não deveria utilizar as águas que lhe temos concedidas esvaziando ou enchendo os encoros que se lhe confiaram segundo suas conveniências. A Confederacion Hidrográfica teria que dar explicações ao povo galego desses usos caprichosos, para sabermos se a água que a empresa fiz passar pelas suas turbinas é necessária para outros usos e para outros seres vivos. Eu penso nos incêndios que se anunciam para o mês de setembro. Necessitaremos água para os enfrentar. E penso que não deveríamos de pagar pola luz desta maneira injusta.   

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