domingo 11/04/21

Risco e Yeats

Rematou o ano do centenário de Nós, mas não imos esquecer nesta coluna nem a revista nem a sua geração. Hoje quero falar da relação de Galiza e Irlanda, e particularmente de duas grandes figuras de ambas naçons: Risco e Yeats; figuras mui caras para o amigo Felipe Senén. Ambos os povos fazem parte das sete naçons celtas, hoje esquecidas para muitos galegos: Galiza, Bretanha, Irlanda, Gales, Cornualhes, Escócia e Ilha de Man. A revista Nós fixo de canal dos estudos sobre a relação galega com o movimento panceltista europeu e as implicações políticas e culturais que comportava.

Os acontecimentos arredor da independência de Irlanda da Grã Bretanha –conseguida em 1922–, foram seguidos com muita atenção na revista. Irlanda era uma nação irmã e viam com muita simpatia a sua luta independentista. O nº 8 da revista (dezembro 1921) dedica-se integramente à lembrança de Terence Mac Swuiney, escritor e alcaide de Cork, que morrera após uma folga de fome, e que chamam “héroe-mártir que pasmou o mundo”. Junto as referencias biográficas, o número conta cum texto de Yeats, um poema de Cabanillas e outro de V. Taibo, e os artigos “Irlanda e Galiza” de Risco e “Irlanda política no s. XIX” de Otero Pedrayo. 

Vicente Risco já publicara no nº 3 (1920) uma análise da figura literária do Nobel W. B. Yeats (1865-1939): “Letras irlandesas: W.B. Yeats”. Risco fala de Irlanda como “domeñada y-oprimida cruelmente po-la Inglaterra”; e, citando uma revista francesa, fala de Yeats como “gran poeta europeu” e que por ele “o celtismo entrou na gran literatura”. Ademais, o ourensán compara a Yeats com Teixeira de Pascoaes. 

Risco continúa a falar de “A moderna literatura irlandesa” nos números 26, 27 e 28 (1926). E o seu breve conto “A velliña vella”, publicado en 1925 en Celtiga de Buenos Aires, é uma reinterpretação da peza teatral de Yeats Cathleen ni Houlihan (Cathleen a filha de Houlihan), traducida ao galego no nº 8 por Antón Vilar Ponte. Cathleen é uma personificación da vella Eirin e a velhinha de Risco é uma alegoria de Galiza.

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