Opinión

Proposta para criar na cidade de Ourense um centro Tagore

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Proposta para criar na cidade de Ourense um centro Tagore

A minha maior ilusão é o poder lograr a criação dum centro Tagore na cidade das Burgas, onde fum professor de primária, secundária e universidade de 1969 a 2010, durante 40 anos da minha vida, onde me casei e onde nasceram os meus três filhos, onde estudei a carreira de magistério na Escola Normal, onde desenvolvim infinidade de atividades de formação do professorado e de renovação pedagógica do ensino e da escola, e o programa de dinamização infantil “Ourense Lúdico”, e onde também realicei múltiplas atividades culturais, nomeadamente no campo do cinema, dirigindo mais de 30 anos o Cine Clube Padre Feijóo, e as suas Mostras Cinematográficas de Arte e Ensaio e as Jornadas do Cinema. Tenho, por tanto, fundadas razões para fazer esta proposta, que colocaria Ourense no mapa do planeta. E não só pessoais, senão também históricas, pelo que a seguir tenho a bem comentar. A maior justificação para cria-lo é que de Ourense foi o primeiro tagoreano que houve na Península, Vicente Risco.

O dia 7 de maio do ano 1861 nascia em Calcutá (hoje Kolkata) Robindronath Tagore. Ao que considero a figura mais importante da cultura mundial, pois destacou em infinidade de temas, e foi genial em todos eles: grande educador criador em Santiniketon (“Morada da Paz”) da primeira escola nova do Oriente e de uma universidade internacional e uma granja-escola, que continuam hoje; literato excepcional em todos os gêneros literários, merecedor do Nobel de Literatura em 1913 (o primeiro de Ásia); extraordinário músico autor da letra e música de perto de 1.500 canções, que na Índia é um gênero musical denominado “Robindrosonguit”, com milheiros de intérpretes masculinos e femininos na Bengala indiana e no Bangladesh, e autor da letra e música dos hinos nacionais de Índia, Bangladesh e Sri Lanka; pintor magnífico que chegou a expôr nos museus e galerias mais importantes do mundo de países como França, EUA, Reino Unido, Alemanha, Japão, Irão, China e, como é natural, a Índia; grande pensador e filósofo, reformador social, defensor da paz e da irmandade entre todos os seres humanos, e peregrino para impartir conferências por numerosos países, agás Espanha, por culpa dos británicos, que não lhe recomendaram a visita que estava preparada a consciência por Juan Ramón Jiménez, para realizar em abril de 1921, vai fazer 100 anos.

Quando descobri que Tagore também era educador, após mercar numa pequena livraria ourensá, o seu livro Santiniketon (Morada da Paz), editado por Losada de B. Aires, no que faz uma semblanza da escola que tinha criado naquele belo lugar da Bengala indiana em dezembro de 1901, onde eu passo todos os anos desde 2010 periodos de 6 meses, não deixei de ler mais Tagore, aprendim a ler, escrever e falar o idioma bengalí (sei falar o básico para poder andar só por Bengala), que era o seu idioma. E levo pescudado no seu museu durante muitos anos sobre as suas diferentes facetas, nomeadamente, pelo meu interesse e profissão vocacional, a educativa. E desde 1964 fum configurando a que se pode considerar melhor biblioteca privada do mundo dedicada a ele, com mais de 30 mil volumes em todos os idiomas, tanto escritos por ele, como os que existem sobre ele e as suas instituções, numerosas publicações periódicas, mais de mil vídeos e DVD e perto de mil CD da sua música e cantigas, com interpretação dos mais importantes cantantes bengalís, ademais de fotos e cartazes.

É precisamente esta minha “Biblioteca Tagore”, um tesouro, a que estou disposto a doar de forma totalmente gratuíta à minha cidade, com a condição de dedicar um edifício para coloca-la e que possa ser consultada, criando um Centro Tagore no mesmo, que entraria na rede mundial de centros Tagore que existem nos seguintes lugares do planeta: Londres, Edimburgo, Toronto, Berlim, Venezia (Centro Studi Tagore), Urbana (Illinois-EUA), Budapest, México, São Paulo, Daca (Bangladesh), os dous de Calcutá (Kolkata) “R. Tagore Centre” e “Tagore Research Institute”, todos coordenados pelo central de Santiniketon (“Robindro Bhovon”), um grande museu, arquivo e biblioteca dedicado a ele. Faltaria que as autoridades ourensás, os grupos políticos, profissionais e entidades culturais e educativas, fossem de mãos dadas e apoiassem a ideia que proponho, de maneira que na listagem anterior poderiamos incluir a cidade de Ourense (Galiza), na que existiria um Centro Tagore (e mesmo poderia albergar também a “Casa de Bengala”), onde se colocaria para poder ser consultada a minha biblioteca Tagore, que cedo a Ourense.

Teriam que vir à nossa cidade todos os tagoreanos que existem no mundo, e, logicamente, todos aqueles que desejaram pescudar sobre a sua grande figura e as suas múltiplas facetas. Poderia lograr facilmente para este projeto o apoio dos governos de Bangladesh e o do Estado indiano de Bengala Ocidental (West Bengal), com os que tenho um bom relacionamento.

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