domingo 17/01/21

Saneamento das rias?

Tendo em conta a importância do médio marinho na Galiza é evidente a necessidade do saneamento para o recuperar, melhorar a produtividade, e que esta seja de qualidade. Entom, qual foi a atuaçom do governo do PP?
Bateas na Ría de Arousa (Xunta)
Bateas na Ría de Arousa (Xunta)

Primeiro temos que saber a que nos referimos com o saneamento. Normalmente refere-se à eliminaçom de todos os poluentes que chegam até o mar, ainda que fundamentalmente falamos dos urbanos. Mas, no caso de Galiza tem umha importância maior ao ser umha das principais produtoras mundiais de marisco e peixe, e gerar um grande número de postos de trabalho, em particular de mulheres. Falando de contaminaçom urbana, a ausência de saneamento em geral tem três efeitos fundamentais sobre o médio marinho:

- Poluiçom química (detergentes, azeites...) alguns deles de efeito imediato e outros a longo prazo.

- Poluiçom biológica, a produzida por vírus e bactérias, entre elas as bactérias fecais, esta é a mais perigosa de jeito imediato, devido a que os bivalves (amêijoas, mexilhons...) alimentam-se delas igual que de planctom. É por isso que as águas do mar classificam-se em A (menos de 230 E. coli por 100 mililitros de vianda e líquido intervalvar) B (de 230 a 4.600 E. coli) C (de 4.600 a 46.000 E. coli). O marisco procedente de zonas A pode-se consumir diretamente, o procedente de zona B tem que passar por umha depuradora de marisco, e o procedente de zona C nom se pode consumir.

- Materiais de todo tipo que ainda nom sendo poluentes, som alheios ao médio marinho. Os mais perigosos som os de menor tamanho, que vam em suspensom (grande parte deles matéria orgânica), ao chegar ao mar em zonas de baixa corrente depositam-se sobre o fundo, alterando o mesmo, criando zonas anóxicas e impossibilitando a vida, os casos mais evidentes na ria do Burgo na Corunha e a ria de Ferrol.

Tendo em conta a importância do médio marinho na Galiza é evidente a necessidade do saneamento para o recuperar, melhorar a produtividade, e que esta seja de qualidade. Polo tanto há que construir depuradoras de águas residuais (EDAR). Entom, qual foi a atuaçom do governo do PP?. No ano 2.008 publicava-se no BOE. A classificaçom microbiológica das águas costeiras de Espanha, Galiza tinha o 76% das zonas C de todo o estado, ainda Feijoo estava na oposiçom. Mas em 2013 de novo no BOE publica-se essa mesma classificaçom, e depois de quatro anos de governo Feijoo a situaçom já tinha mudado, nesse momento Galiza tinha o 81% das zonas C de todo o estado, eis aí o nível de compromisso com o pais. Mas na atualidade, já em 2020 a cousa é ainda pior tendo Galiza quase o 100% das zonas C de todo o estado. E o mais grave é que todas estám em zonas de produçom marisqueira. E pior ainda “misteriosamente” há bancos marisqueiros que a pesar de estar catalogados como tais nem sequer aparecem na classificaçom (nem A, nem B, nem C).

Todo isto pode-se ver na web de acesso público ww3.intecmar.gal/Sigremar/ Cartografia, classificaçom microbiológica, zonas GAL. De aí podemos sacar que a dia 9 de março de 2020, na ria de Foz todos menos um dos bancos marisqueiros da ria estám em zona C, Gal 01/04. Na ria de Viveiro temos vários bancos marisqueiros em zona C, Gal 01/06-2 e Gal 01/07. Na ria de Ferrol temos vários bancos marisqueiros (entre eles parte do banco das Pias, o mais importante da ria) em zonas C, Gal 03/08-1 e Gal 03/05, há ademais um banco marisqueiro a pé, o CF-113 (A Malata) com parte sem classificar. Na ria de Ares, também há vários bancos marisqueiros em zonas C, Gal 04/07 e Gal 04/09. Na ria de Muros e Noia, há dous bancos marisqueiros a pé MN-029 e MN-030 noutra zona sem classificar. Na ria de Arousa há dous bancos marisqueiros a pé AR-180 e AR-181 noutra zona sem classificar. E finalmente na ria de Vigo há um banco marisqueiro a pé numha zona C, Gal 11/03. Ademais som case inexistentes os bancos marisqueiros em zona A, que é o mais habitual no resto do estado.

Mas, que ocorreu?

Mas, que ocorreu?, porque estamos agora nesta situaçom?, porque somos os últimos do estado apesar da importância estratégica do marisqueio e a pesca para a Galiza?. Pois ocorre que nom se cumprem os prazos de construçom, e em grande parte delas realizam-se baixo ameaças de sançom pola UE por incumprir as normativas entre elas a 91/271/CEE, a diretiva marco europeia da água, ou a relativa à comercializaçom de marisco regulamento CEE 853/2004, em particular nas rias de Vigo e Ferrol. Há EDARs com graves deficiências de funcionamento. E pior é que ainda em 2020 há EDARs sem construir, como ocorre na zona de Minho.

Optou-se pola construçom de grandes macro-depuradoras que implicam umha obra civil brutal. Poderia ser compreensível no caso das cidades, mas optou-se por este sistema na maior parte dos casos, agrupando vários concelhos. É normal que em grandes construçons deste tipo seja mais fácil ter erros e/ou fugas no sistema de esgotos e tubagens do que seria em sistemas mais pequenos. E finalmente o sistema de depuraçom escolhido foi o pior para Galiza, o sistema unitário (aguas residuais e de chuva vam juntas à EDAR) fronte ao sistema separativo (à EDAR só vam as águas residuais). Ainda que nas cidades o sistema separativo nom poderia ser puro, precisaria-se um sistema misto que recolhera as primeiras chuvas (polo efeito de lavado das ruas) e deixara depois ir livremente ao mar o resto da chuva, sistema já provado em França.

A respeito do sistema unitário há que comentar três aspectos:

- O volume de chuvas no nosso pais é mo mais elevado da península e isto implica ter que realizar umhas tubagens e uns bombeamentos de muito maior volume dos que seriam precisos. Isto significa, maior custo de construçom, maior custo de mantimento, maior custo energético e maior custo de depuraçom polo volume superior de água que chega à EDAR.

- Este volume de chuvas provoca que há umha percentagem de dias, já assumido para cada EDAR, nas que vam existir transbordamentos ao médio marinho ao nom ser capaz o sistema de recolher o volume total pola chuva.

- E finalmente umha questom importante. As rias som um médio diferente ao oceânico, precisam da chegada de água doce, para manter a sua peculiar biologia. Furtar a chegada de água doce ao mar altera gravemente o funcionamento das rias, tendo conseqüências que afetam também à produçom marisqueira e pesqueira.

Dados de produçom

Finalmente, a construçom das EDAR com atrasos, os últimos do estado, e algumhas ainda sem construir, e em grande parte dos casos baixo a ameaça de sançom. E eleiçom do modelo de macro-depuradoras e o sistema de depuraçom escolhido, o unitário provocam a situaçom atual. Enquanto a maioria do litoral do estado tem águas marinhas classificadas como A, na Galiza apesar da importância do sector, é case todo B e com as únicas C de todo o estado. Se todo rematara aqui seria vergonhoso para alguém que di amar a Galiza. Mas as conseqüências de todo isto as estám a pagar as pessoas que vivem do mar e por extensom toda a populaçom galega. Nom há mais que acudir à web de pescadegalicia.gal e comprovar os efeitos desta política do PP. Se comprovamos os dados de produçom das principais espécies marisqueiras autóctones da Galiza atopamos o seguinte (no período de governo Feijoo).

- Amêijoa babosa. 2009, 1.178.784 quilos, 2019, 745.935 quilos.

- Amêijoa fina. 2009, 826.175 quilos, 2019, 319.617 quilos.

- Amêijoa ruiva. 2009, 841.390 quilos, 2019, 360.073 quilos.

No caso da ria de Ferrol, caso extremo da desfeita causada pola falta de depuraçom ao longo do temo os efeitos som mais que evidentes, contando a partir de 2012, primeiro ano nom que se permitiu a captura em toda a ria, atopamos o seguinte.

- Amêijoa babosa. 2012, 231.654 quilos, 2019, 31.728 quilos.

- Amêijoa fina. 2012, 17.427 quilos, 2019, 7.632 quilos.

Por outra banda atopamos umha outra espécie que medra espectacularmente, e fai-no porque foi a aposta deste governo, umha ameixa de fora, de pior qualidade e muito pior preço, mas que é mui resistente às condiçons adversas, alta poluiçom e substratos degradados.

Amêijoa japonesa. 2009, 1.951.499 quilos, 2019, 3.399.259 quilos.Depois de 11 anos de Feijoo, precisamos de saneamento racional e adequado ao nosso pais, e regenerar as rias danadas por tantos anos de abandono total e absoluto por parte do governo do PP.

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