Análise

Regueifeiras: as cantareiras que improvisam

Séchu Sende, escritor.
Detalle dun obradoiro escolar do proxecto Enreguéifate. (Foto: Enreguéifate)
Detalle dun obradoiro escolar do proxecto Enreguéifate. (Foto: Enreguéifate)

Algo está a suceder nos últimos anos que parte da sociedade galega já começa a assimilar porque resulta umha innovaçom inesperada e esperançadora. A regueifa, em perigo de extinçom a princípios do séc. XX, está a viver o seu Rexurdimento. E esta revitalizaçom tem dous motores principais, entre outros: o feminismo e a gente nova.

Com base na Asociación ORAL, o Certame de Valadares, os projetos Regueifesta, Enreguéifate, o coletivo Erre que Erre, os obradoiros de regueifa da Escola Semente, a Escola de Regueifa de Carvalho ou os Clubes de Regueifa de centros como Vila de Cruzes, Baio, o Milhadoiro, Vilalba ou Trazo, entre outros projetos, o ecosistema da improvisaçom oral em verso mudou esencialmente. E hoje já se pode falar de várias geraçons de regueifeiras que estám a cantar improvisando por todo o país, de Compostela a Vigo, de Bergantinhos ao Deza, da Terra Chá à Marinha de Lugo, do Courel a Compostela.

Um novo género está a chegar a festivais, festas e celebraçons várias: a regueifa. E as reguefeiras som cantareiras que, com pandeireta, a capella ou com bases eletrónicas, cantam improvisando. As regueifeiras som cantareiras que improvisam.

Improvisaçom oral

Este 17 de maio, as cantareiras de todo o país som homenageadas no Dia das Letras Galegas, as cantareiras do presente, as do passado e as do futuro. Este 17 de maio as reguefeiras também celebrarám esse dia como próprio. A improvisaçom oral sempre foi umha habilidade tradicional entre as mulheres que cantarom ao longo da história. As cançons que se cantavam e que os cancioneiros recolherom som cançons aprendidas e transmitidas de memória. Mas todas essas cançons forom criadas por alguém que improvisou esses versos, essas rimas, essas coplas nalgum momento determinado. Graças aos Cancioneiros hoje atesouramos milheiros de coplas populares que ficam na nossa memória e seguem a formar parte de nós, da nossa identidade. 

Temos sorte: agora esta-se a configurar umha geraçom de regueifeiras que som modelos e referentes de festa e identidade cultural e linguística

Hoje em dia, há crianças, adolescentes e mulheres que estám a improvisar um Cancioneiro do séc. XXI com temas circunstanciais ou universais. Som as regueifeiras, umha nova espécie no sistema musical do nosso país, cantareiras que estám a criar poesia que fala sobre amor e desamor, sexualidade, poder, problemas sociais, a vida ou a morte. As regueifeiras criam os seus versos em vivo, de repente, a expresar as suas identidades persoais e a nossa identidade coletiva. E estám a buscar e criar novas funçons para a regueifa na nossa sociedade.

O rexurdimento da lingua galega tem que ser um rexurdimento fundamentalmente oral. E a regueifa tem muito que aportar na socializaçom da nossa língua e na transmissom intergeracional.

Talento poético

A literatura oral, habitualmente associada a gente maior e rural, está a construír um novo espaço no seu ecosistema: agora já temos gente nova, rural e urbana, a criar literatura oral de improviso com melodias, temas e emoçons do séc. XXI, que se impulsam com a força da adolescência, como dizia Manuel Antonio, Mais Alá, cara ao porvir. Temos sorte: agora esta-se a configurar umha geraçom de regueifeiras que som modelos e referentes de festa e identidade cultural e linguística. Som um passo mais na atualizaçom da tradiçom, sempre eterna.

Nas redes sociais está a colher corpo um Cancioneiro Audiovisual onde, graças à tecnologia, as coplas ficam gravadas contradizindo a frase feita: "Scripta Manet, Verba Volant". Agora também a Verba permanece e as coplas ficam. O Cancioneiro esta-se a construír em tempo real, reunindo poemas orais que se cantam em festivais, sobremesas, festas, concursos, concertos, bares e outros ámbitos. E, entre todo esse movimento, há umha juventude com muito talento poético, intenso e diversificado, onde aparecem individualidades com diferentes estilos criativos, performativos e comunicativos.

O movimento da Nova Regueifa está aqui, a mudar a história da poesia oral. E por isso admiramos cada criança, cada adolescente que improvisa umha copla sobre o idioma, sobre o seu coraçom ou a contaminaçom.

O que está a suceder e o que vai suceder nos vindeiros anos será fascinante.

Se a transmissom intergeracional tem um pé nas geraçons devanceiras e na gente maior que nos transmite o seu saber, emoçons e experiências, atualmente é umha sorte vermos aparecer umha nova clase de artistas, a atuar como coletivo por primeira vez na história: as reguefeiras, com um pé no presente, cara ao futuro. As devanceiras e as criança som a raíz e a flor da tradiçom.

E isso, no séc. XXI, é algo extraordinário.

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