Efemérides

[Nemésio Barxa]
Andamos num ano de efemérides de médio século de triste lembrança. O 12 de agosto de 1975 tivemos que chorar o assassinato, baleado pô-las costas, de Moncho Reboiras, por uma polícia franquista (de 200 a 300 números segundo os jornais da época) que logo montou um circo para justificar uma penosa e covarde intervenção. O próximo 27 completaram-se 50 anos do fuzilamento em Hoyo de Manzanares de dois vigueses, membros do FRAP, Xosé Humberto Baena e Xosé Luís Sánchez Bravo, e com eles Ramón García Sanz, que enfrentarem a morte negando-se a que se lhes vendaram os olhos. O clamor mundial, incluso do Vaticano, para revogar a pena de morte não amoleceu o pedregoso coração do ditador, que estava seguro de não se topar com eles no mais alá (uns iriam ao Inferno e o outro ao Céu) a onde os seguiu escassos meses mais tarde. Condenados em um de aqueles juízos-farsa, sem provas, com uma declaração obtida baixo tortura, e mantendo sempre Baena sua inocência, que manifesta incluso ao pai na despedida que ele não foi quem matou ao polícia por cuia morte era julgado. Em agosto de 2025 o Governo declarou ilegal e nulo o juízo.

Setembro deve ter mal fario. Também neste mês, dois anos antes, os esbirros do Sanguinário torturaram e envenenaram, tendo-o baixo custodia no Hospital de Reus, a Cipriano Martos, também militante do FRAP. E no 1974, ainda que em março, assassinavam a garrote vil o militante do MIL, Puig Antich, condena declarada nula em 2024, mas em setembro (2006) estreou-se a película do seu nome Salvador.