Opinión

Um país de tolos armados

A  última –que infelizmente não será a derradeira– matança de crianças em USA volve a golpear-me no coração e nos miolos verbo da saúde mental e social deste país que se diz paradigma da democracia liberal –"o fim da história"– e se tem desde há décadas como o gendarme do mundo. Não é a primeira vez que o digo, mas penso neste caso que só um país de tolos –ainda que haja milheiros de honrosas exceções lúcidas– pode seguir defendendo que cada cidadão poda levar livremente no peto uma pistola e ter na casa armas de combate, quando cada ano morrem nele a causa delas dúzias de milheiros de pessoas. As cifras são alucinantes; ademais das quase mil mortes nas aulas desde o 2018, o que mais me chamou a atenção estes dias foi uma notícia de EFE: só no que vai de ano morreram em USA... mais de 17.000 pessoas por arma de fogo! É dizer, quatro vezes os civis mortos nesse tempo na guerra de Ucrânia, segundo dizem os dados oficiais.

Sei que, ademais da recorrida segunda emenda da Constituição dos EEUU que fala do direito da gente a ter e levar armas desde 1791 até hoje, e dum povo que leva a violência no seu ADN desde os tempos da conquista do Oeste, está a poderosíssima Associação Nacional do Rifle (NRA), um negócio de milheiros de milhões de dólares, poderosíssimo lobby que controla todos os poderes dum estado onde se compra tudo.

Mas, quando este país vai dizer realmente: Abonda já!? Quando se precatarão que isso é um atraso humano clamoroso? O presidente Biden volvia a dizer isto, como fizera Obama há anos: "Quando, no nome de Deus, imos fazer fronte ao lobby das armas?". No canto, o ex presidente Trump participou ao dia seguinte da matança na convenção nacional da NRA, justificando o direito a ter armas, e que para que cessem estas matanças nos colégios cumpre... que os mestres vaiam a eles armados!

Semelha que para nada lhes valem palavras sábias como as de Spinoza –s. XVII–de que "a paz não é a ausência de guerra; é uma virtude, um estado da mente, uma disposição à tolerância, à confiança e à justiça". E tantisimas outras com as quais se poderia fazer um magnífico florilégio da paz.

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