luns 19/04/21

Um Nobel da paz

Há umas semanas, em médios cristãos começou a postular-se a candidatura de Nicolás Castellanos para o Premio Nobel da Paz. Possivelmente, para muitos leitores non seja conhecida a figura deste home; ainda que já recebesse em 1998 o premio Príncipe de Asturias da Concordia –junto com Vicente Ferrer e Muhamed Yunus, mais conhecidos polo seu compromisso contra a pobreza– e outros prêmios em Espanha e Bolívia. Sem subida, é um bom candidato; como o foi no seu tempo, infrutuosamente, o finado bispo Casaldáliga, outro bispo profeta de quem tenho falado já aqui.

Como ele, Castellanos é um bispo diferente. Um bispo profeta que deixou a mitra e o seu bispado de Palencia para viver cos mais pobres em Latinoamérica; fazendo-se, singelamente, carne com eles na cidade boliviana de Santa Cruz de la Sierra. Alí é home querido por todos, ainda que incomode a alguns; com uma projeção internacional a través da sua fundação Hombres Nuevos, que denuncia a injustiça e vai abrindo vias para melhorar os bairros da gente esquecida de essa cidade de Bolivia. 

Castellanos é um desses “santos da porta do lado”, dos que fala esse papa também diferente que é Francisco. Tive ocasião de conhece-lo ha anos num encontro em Compostela e tivemos alguma relação por Correo, admirando a sua humanidade, a sua fé cristã comprometida e coerente, assim como a sua capacidade.

Esse compromisso inteligente tem o levado a por em marcha diversos projetos para atender sobre todo ás mulheres e a povoação infantil: comedores, centros escolares, vivendas sociais e hospitais, desenvolvendo não só qualidade de vida, sino também formação e qualidade humana espiritual. Coas verbas de Castellanos: “No norte sobram-vos médios para viver, pero faltam-vos raçoes para existir. No sul carecemos de case todos os médios, pero sobram-nos raçoes para viver” (“En Portada”, RTVE 2010).

A historia de Nicolás Castellanos, a parte da luta eficaz contra a miséria e a injustiça, danos também rações para viver e reconcilia-nos coa condição humana, hoje tão arrastrada polo chão.

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