mércores 20/10/21

Um bispo que casa

Há uns dias houve um revoo mediático pelo caso dum bispo que deixou o seu bispado porque diz que estava namorado duma mulher. O revoo foi porque este ex-bispo era católico e rompia a norma do celibato que a Igreja romana impôs aos seus padres; se fosse anglicano ou luterano –que os há– não haveria tal revoo. Certo é que havia uma característica que lhe dava mais morbo à notícia: a noiva escrevia novelas eróticas.

Um caso atípico, também pelas características pessoais e os feitos que se apontaram deste bispo, que fez uma cascata de despropósitos que supuseram turbação para o clero e os fiéis, que se sentiram feridos e atraiçoados na sua fé e na sua confiança, e que levaram a pensar que não gozava de equilíbrio intelectual e emocional, pois manifestou contradições clamorosas. Conhecido pelo seu apoio ao procès catalão, manifestava-se como um integrista que criticava a vestimenta das raparigas e chegou a apoiar “terapias de conversão” para curar os gays da “sua enfermidade”, terapias que  chegaram a ser condenadas pelo Vaticano. Tudo levou a pensar que a sua nomeação foi outro dos erros das autoridades eclesiásticas.

Contudo, o feito levou a reviver nos meios o debate sobre se os curas católicos deveriam poder casar ou não. Um feito que tem como resposta um sim tão evidente e um apoio popular tão rotundo, que cansa falar dele quando os meios de comunicação voltam entrevistar-nos aos que temos a condição de padres casados e vivemo-la pacificamente: sem renunciar a sermos curas exercendo nas nossas comunidades e sem renunciar ao amor recíproco que nos uniu publicamente à nossa mulher fazendo uma família. Temos que dizer, mais uma vez, que nem fomos “seduzidos” por uma “mulher tentadora”, nem lha roubamos a ninguém, nem abusamos duma rapariga... Senão que livremente seguimos o mandato bíblico “companheira te dou e não escrava”, para compartir as nossas vidas. Sem negar o seu valor quando é opcional, o celibato obrigatório dos padres é uma norma obsoleta da Igreja católica que ultimamente manifestou mais males que bens e deve acabar como tal já.

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