sábado 16/10/21

Martinho e “Encrucillada”

Martinho Montero Santalha é um linguista galego, teólogo, professor e escritor; salientam as suas publicações sobre a nossa poesia trovadoresca e Carvalho Calero. É conhecido pelo seu compromisso reintegracionista, tendo participado na fundação da AGAL e da Academia Galega da Língua Portuguesa. Nos seus anos de estudo em Roma foi membro do grupo “Os irmandiños”, preocupado pela recuperação da língua na Igreja galega, que publicaram em 1974 o “Manifesto para a supervivência da cultura galega”.

Encrucillada é uma “revista galega de pensamento cristián” com mais de quarenta anos, na qual temos colaborado muito ambos; eu depois dele, mas mais tempo pois ele foi do grupo fundador em 1977 e eu colaborei desde 1981 até o ano passado. Infelizmente, ainda que nos seus começos foi muito ativo na mesa de redação, a sua colaboração findou já em 1978, por discrepâncias entre a revista e ele pelo seu compromisso reintegracionista.

Em 1983 escreveu uma carta ao Conselho de redação de esta, manifestando o desacordo pela decisão a respeito da normativa linguística adoptada pela revista e publicada no nº 31: “Umha decisom que considero nom só desacertada senom injusta, e mesmo contrária aos principios que inspirarom o nacimento da revista... –diz apesarado-. Com essa decisom vindes a excluir de toda colaboraçom na revista a aqueles que nos confessamos reintegracionistas”. E engadia: “Sei que Encrucillada nom naceu para excluir a nengum cristao que trabalhe polo uso e a defensa da nossa língua”; por isso, “nom se deve excluir a priori nengumha das possibilidades... Encrucillada deveria permanecer claramente aberta a colaboraçons em calquer das normativas”. Finalmente, manifestava “umha certa amargura por nom poder colaborar numha revista à que dediquei tantas ilusons e tamém tantas horas de trabalho”.

Em muitas ocasiões, outros companheiros do Conselho de Encrucillada e eu mesmo temos defendido inutilmente o nosso desejo de que a revista aceitara colaborações em reintegrado e mesmo em português, sabendo que redundaria na sua riqueza. O mesmo Martinho tem-me dito que colaboraria ainda hoje gostoso se se desse essa abertura. Uma pena pela intolerancia desta.

comentarios