Opinión

'La roja' e Qatar

Durante muito tempo, pelas terras da Espanha os "rojos" foram os comunistas, que não lhe queriam ao seu país. Mas desde há uma década, a raiz do mundial de futebol que ganhou a seleção espanhola, 'la roja' foi o símbolo do orgulho espanhol; a cor da equipa acompanhava a bandeira espanhola com berros de "¡España! ¡España!". Com o Mundial que começou esta semana, tememo-nos outro tanto de delírio espanholista, se não é eliminada nos primeiros partidos. Oxalá seja assim.

Porém, como é sabido, há muito mais que compromete as bondades de 'la roja' e deste Mundial; o lugar escolhido pela FIFA para a sua celebração: Qatar. Um estado machista, despótico e que não respeita os direitos humanos; sem tradição de futebol, mas com muito dinheiro. É sabido como esse país conseguiu a designação: por subornos e extorsões aos dirigentes do organismo e políticos. Li que o encarregado de Qatar entregou comissões superiores a três milhões de dólares a mais de 30 pessoas da FIFA, para obtê-la; o mesmo ex-presidente Sarkozy esteve imiscuído nisso com o emir de Qatar, que uns meses depois mercou à França aviões de combate.

Logo, os milheiros de trabalhadores que morreram durante as obras de preparação. O diário The Guardian estimou-as em 6.500 pessoas e Anistia Internacional disse que essas mortes de operários emigrantes foram muitas mais. Submetidos a condições infra-humanas de verdadeira escravitude: temperaturas de mais de 50 graus, medidas de seguridade escassas ou nulas, jornadas de mais de 18 horas com descansos muito curtos... unidas a ameaças e salários sem pagar.

Pelas violações dos direitos humanos, a aberração ecológica e a corrupção, o semanário francês Le Nouvel Observateur titulava um artigo "La coupe d’immonde" (A copa da imundícia). E Anistia chamou à do Qatar "A copa mundial da vergonha".

Falou-se de que os jogadores levassem uma braçadeira negra; mas eu estou mais por fazer o que pedia Acampa, e chegaram a pôr no tabuleiro dalgum bar: fazer o boicote; não ver os partidos do Mundial, dado que não há jogo limpo e cumpre evitar branquear um regime coma o qatarí.

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