venres 24/09/21

Indignemo-nos!

A suba escandalosa do preço da luz nos últimos meses é um saqueio para os e as cidadãs, que obriga a uma tomada de posição mais além do laio e a queixa. Os titulares de portada deste Diario há uns dias eram expressivos: “O preço da luz triplicou-se no último ano na Galiza.

Benefícios de até o 2000% nas hidroelétricas com o incremento da luz”. Em duas linhas quedava recolhido todo o problema: mentres os custos da eletricidade se convertem num dos grandes problemas de famílias e empresas, as grandes corporações energéticas registram uns benefícios mais altos que nunca. 

Iberdrola, Endesa e Naturgy –que controlam o 85% do mercado- declaram umas ganâncias milmilhonárias, que nunca foram tão boas para eles. Mas para nós é uma ruína duma perversão intolerável. Como para queimar-lhes as oficinas!

Isto é o único realmente claro na suba das nossas faturas; todas as demais explicações não me servem de nada: se estas sobem escandalosamente mentres as contas das energéticas disparam os seus benefícios, estão a roubar-nos descaradamente, digam o que digam. E aos galegos mais. O problema não está no preço de produção da energia, do gás ou do que cumpre pagar polo CO2, mas na vontade das grandes empresas por aumentar os seus benefícios. Os economistas dizem-nos que o 30% do recibo é o custo real e o 70% são as “peagens” financeiras e a distribuição; o preço chega a quintuplicar-se entre a central e o enchufe.

O governo deve intervir e controlar esta tarifa inflada e ladroa. Se não o faz é porque tanto o PSOE como o PP têm as mãos atadas: Felipe González e Aznar privatizaram Endesa, este último liberalizou o mercado elétrico, e ambos acabaram –junto com dúzias de políticos de ambos os partidos- nos Conselhos de administração das elétricas; logo Rajoy estabeleceu o sistema de formação de preços que nos levou ao desastre atual. 

Isto exige uma resposta ativa pela nossa parte: indignar-se de novo como há dez anos, sair às ruas e deixar de pagar a luz massivamente. Se esta última decisão fosse massiva, as elétricas não teriam outra opção que ceder e baixar os preços, pois iam quedar-se sem clientes.

comentarios