Opinión

Importam, sim

A foto dos mortos no assalto há poucos dias ao valado de Melilla é impressionante. Era alucinante e indignante ver logo no vídeo tal quantidade de seres humanos amontoados como se fossem lixo, alguns ainda movendo-se algo, outros não. Não teria saído multiplicada nos meios de comunicação se não fosse feita fora dos do poder e os comerciais. Porque não convinha aos seus interesses; era incómoda depois dos acordos entre os governos espanhol e marroquino.

"Não preguntes quantos morreram. Cem arriba, cem abaixo, a quem importa?", dizia o Padre Agrelo -franciscano ex-bispo de Tânger- a pouco de ocorrer; puderam ser quase o duplo dos que reconheceu o governo marroquino. Em qualquer caso, era uma das maiores violações expressa e direta dos direitos humanos produzida pela politica migratória europeia. O presidente Sánchez, depois das tremendas palavras que disse imediatamente trás do massacre, de que as cousas foram "bem resoltas" pela polícia marroquina, disse que "não vira a foto". Mas a insistência teimuda das muitas pessoas às quais nos afetou a tragédia dos imigrantes, como as mortes diárias do Mediterrâneo, começou a berrar de contado ante um feito injustificável.

A argumentação oficial, uma vez mais, era que a culpa é dos mortos, ou das "máfias" que os moveram a fazê-lo. "Os responsáveis são os mortos –seguia Agrelo-. As autoridades só podem felicitar-se de ter conseguido que os violentos, os sem-direitos, estejam mortos". Não importava que a maioria das pessoas que trataram de cruzar a fronteira para sobreviver, viera sobretudo de países em guerra como Sudão do Sul.

Agora tocava-nos mais perto o berro norte-americano do "Black Lives Matter". E muita gente saiu às ruas para berrar: "As vidas negras sim importam". As vidas dos negros e das negras, mulatos e mulatas, amarelos e de qualquer cor, sempre as das pessoas mais empobrecidas neste mundo de reparto criminalmente injusto da riqueza, importam como as dos brancos e as branquinhas ricas. São seres humanos como nós, filhos e filhas bem-queridas de Deus, gente com os mesmos direitos que nós. Ainda que sejam doutra cor, cultura e religião, tenhem direito ao nosso respeito, acolhida e proteção.

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