domingo 26.01.2020

A política da ortografía

Eu nom som lingüista e percebo bem pouco de se as soluções escolhidas nas normativas som ou nom correctas. Também nom sei diferenciar de forma técnica onde estabelecer a fronteira que distingue um idioma de outro. Mas eme de muito interesse o debate que surge por volta da normativizaçom da língua como usuario habitual da mesma e observo que quase sempre este e proposto em térmos filológicos e quase nunca é discutido desde as consequências políticas da escolha de uma ou de outra ortografía. Como disse sei case nada de linguística mas pelo meu oficio percebo algo mais de política e sei que a ortografía faz parte dos processos de construçom de estados tanto como o próprio idioma e que tem sido usada estratégicamente tanto para uniformarlos políticamente como para fragmentalos.Tambem é bem sabido que a ortografía pode em última instância ser supeditada a algum objectivo político de ordem superior. Tambem é óbvio que as ortografías som convencionais e que a mesma ortografía pode servir para idiomas diferentes ou um mesmo idioma pode ser fragmentado e escrito em vários códigos.

Históricamente, por exemplo, os chineses usaram de um alfabeto ideográfico, válido para diferentes línguas, com o objectivo de manter a únidade burocrática do seu império e que nos exames de acceso ao mandarinato a caligrafía era um dos conhecimentos mais valorados. Percebiam e percebiam bem que para manter um aparato administrativo unificado é mais importante ortografía que fonética das línguas. A sua vez na Turquia de 1920 Kemal Ataturk mudou a velha ortografía árabe pela latina com o objectivo de occidentalizala e modernizala. Stalin quando anexou a Moldova a União Soviética decretou a mudança do alfabeto latino pelo cirílico na escrita do romeno para visualizar a integraçom no novo espaço político. Ao invés a ortografía usasse para delimitar espaços políticos quando busca dividir um idioma com a ideia bem de debilitar uma identidade nacional, como foi o modelo francês o italiano que buscaram dialectizar as suas diferentes línguas criando patois ou castrapos ate que ficaram sem utilidade e puderan ser assimiladas pela língua estatal, bem de criar identidades nacionais separadas, como é o caso do serbocroata ou no seu momento o dinamarquês e o noruegués.

O que está claro e que as ortografías têm uma dimenssom política e fazem parte dos processos que os politólogos denominam de contruçom de estados. A ortografía é o primeiro que se vê numa língua e é tanto uma forma de marcar território como de dificultar ou favorecer, según se usem, a capacidade de controlo dos poderes políticos. Uma língua dialectializada e dependente de uma língua apoiada pelo poder político é uma forma mais de controlo das minorias nacionais que povoam um estado, pois ainda que usem seu idioma sempre vam necesitar da língua estatal para numerosos usos, chegando ao caso inclusive de que sua ortografía evolúa quando a outra o faça. No que a nós corresponde teriamos que discutir tambem a nossa ortografía tendo em conta a dimenssom politica do debate, e tambem com que espaços culturais e económicos queremos estar integrados. Nesse debate a filología não deve ficar sóa. As consequências de uma ou outra escolha som tamen as do futuro que queremos para a nossa terra.

A política da ortografía
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