Opinión

De "celuloses nom" a "bem-vindo mister Altri"

Galiza é já "zona de sacrifício", como agora se chama aos territórios prontos à sua ruína ambiental, demográfica, económica e social no nome do progresso de outras latitudes e o enriquecimento de uns poucos empresários, fundos de investimento e políticos sem escrúpulos, e a Marinha (com o permisso de As Pontes) vai caminho de ser o epicentro da desfeita. O cadáver ainda quente (por aquele do seu feche em diferido) da Alcoa segue a utilizar-se como desculpa para a chegada de megaprojectos energéticos por terra e mar, desde moinhos a centrais hidroeléctricas de ultima geraçom que amosam como aval, perante o rejeitamento vizinhal, preacordos de fornecimento eléctrico para a alumineira, de umha validez a dia de hoje equiparável a notas do Monopoly.

Mas a barra livre para o espólio nom remata aí, postos a abrir a chave, por que nom umha celulose? Fazouro, no coraçom da Marinha, foi objectivo em duas ocassons, de projectos de celuloses. A primeira, nos anos setenta e naquela primeira onda "industrializadora" da zona, promovida polo entom presidente de Larsa, José Rodriguez, como parte do tridente que completavam Alúmina-Aluminio e a Central nuclear projectada para Jove. A oposiçom vizinhal fiz que só a planta alumineira chegara a implantar-se na comarca. Houve que aguardar 11 anos, até 1988 para que a alemã Feldmülhe voltara à lea, novamente em Fazouro: um entom Conselheiro de Economia e Fazenda, Fernando Salgado, aplaudindo com as orelhas, outra vez oposiçom política, vizinhal e ecologista (pode consultar-se o nº333 de A Nosa Terra, no que o ecologismo nacionalista qualificava-se aquele projecto de atentado ecológico e de industria de encrave colonial), e projecto finalmente desbotado.

E nom há dous sem três: 2022, Altri, empresa portuguesa de celuloses e fibras vegetais, anúncia o desembarco na Marinha. (Outra vez Fazouro?) O objectivo, a transformaçom do eucalipto em celulose (sim, o que se vai implantar na Marinha é umha planta de celulose, por moito que a tentem disfarçar de outra cousa) para logo transformar em fibra têxtil vegetal.

Mas algo mudou desta volta. Se trinta e quatro anos atrás topou com a oposiçom social e política da mão do nacionalismo, desta vez, a mesma organizaçom (a mesma?) opta por apoiar em sé parlamentar a sua implantaçom, e cenificar assim a renúncia a desenvolver um modelo florestal ao serviço dos interesses da Galiza, dando um novo balom de oxigeno à especulaçom pasteira e a tudo o que leva aparelhado, à revalorizaçom do eucalipto, e um outro passo atrás na recuperaçom de terras agrárias e a volta ao seu uso tradicional, na recuperaçom das massas frondosas autóctones; mais também dar entrada no reparto da torta da desfeita florestal ao grande oligarca do têxtil, que agora se poderá empanar-se em lyocell e fundos "next generation". Outro clavo mais no cadaleito do rural galego.

Igual esta decissom nom nos devia estranhar, algo está a mudar no nacionalismo que aspira a ser alternativa de governo, ve-se no discurso, modulado agora para que, segundo quem seja a destinatária, a interpretaçom poda ser isso, interpretável: do "celuloses nom" foi-se passando ao "fora da ria": para umhas soa (ou quer soar) a "que se vaia da Galiza" e para outras soa a "que a levem para As Pontes". Igual acontece com a invassom eólica: "eólica sim, mas nom assim" da pé a reivindicar o falido plano eólico desenvolvido nos anos de bipartito (que, sejamos sérias, nom era mais que umha verssom reduzida deste, mas interpretada por distintas actrizes) ou a, segundo a audiência, falar de comunidades energéticas e instalaçons de auto-consumo.

Diz um bom amigo e camarada que este povo demostrou que já nom se merez nada, e o que nos queda é, quando menos, defender a Terra. Resisto-me a aceitar a derrota. Temos que defender a terra mas a terra, sem povo, nom é nada. É evidente que a velho foucinho já nom corta, que a esta altura nom há pedra que lhe volte o fio, voltou-se mol, inútil, é umha caricatura do que foi. É o momento de votar à forja, quencer metal, juntar ferros novos e ferros velhos, armar-se de paciência e petar neles. 

Apoia Nós Diario

Se estás lendo de balde este xornal é grazas ás máis de 3.000 persoas subscritoras. A información independente ten un prezo. Apoia un xornalismo galego e sustentábel subscribíndote a Nós Diario ou facéndote mecenas.

comentarios