luns 30/11/20

Lavrador de sofá

[Nemésio Barxa]

Que vai passar de novo com as subvenções da PAC (Política Agrária Comunitária)? No tempo da construção das barragens os primeiros em aceitar o asolagamento das suas terras foram os terratenentes que não as exploravam, em prejuízo dos camponeses que nelas tinham o seu modo de vida. Atualmente o fruto das ajudas da PAC vai ás grandes cidades (só em Madrid há 25.903 beneficiários) calculando o importe individual a partir da produção média das fincas entre os anos 2000/02, independentemente de se agora se seguem trabalhando ou não ou se o beneficiário é lavrador ativo ou só é proprietário, polo que resulta imprescindível ligar essas ajudas como mínimo á residência no rural (reduziria a despovoação) e a que os ingressos agrícolas tivessem uma percentagem significativa sobre os ingressos totais da família. Futuro incerto da atitude da Xunta no reparto dos fundos europeus de recuperação, elaborando os projetos sem diálogo com os sectores sociais e sem definir a cifra mínima de recursos a que aspira, em tanto que o governo estatal não desvela os critérios nesse reparto, corremos o risco de que esses fundos se repartam desde Madrid e que acabem financiando as grandes multinacionais.

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