martes 11/05/21

Uma mulher

A mulher vive numa superfície de pantrigo, as adoas das extremidades inferiores formam dois triângulos e a face amolda-se de massa mãe. O nácar construi vértebras, que são o suporte indispensável de estabilidade. A figura é um estilizado colar de pérolas, que observa com assombro para o infinito escuro, impercetível. Fica sentada nas torradas côdeas da montanha e permanece em êxtase. Carreiros irregulares circundam a terra que a sustenta. Abrem-se sulcos no solo, como se fossem crateras, fendas...

São veias, artérias que transportam a essência, a vida. Moléculas que criam um espaço de folerpas de algodão.

A bola de pão pousa no riscado tapete da cozinha e forma um bodegão com a rapariga em sedestação, sita no cume, no núcleo, com a mirada para o horizonte. As frangulhas espargem-se, criam uma pose distensa. Modelam o corpo da jovem em pausa. Aguardando a fermentação das ideias. Ela, é a imagem perlada da espera. Sonha na cor atenuada da quotidianidade. Habita nas rotas estelares da inquietação e permanece suspensa no imenso universo, isolada; mas sente-se única no traço exato, perfeito da composição.

SENTADA NA MONTAHA

Fragmento da obra "Sentada na montanha" de Diego de Giráldez. 

Este poema conseguiu um accésit no Certame de Poesía: 20 ANOS. CASA MUSEO DIEGO DE GIRÁLDEZ, 10- 08- 2019. Presentado baixo o pseudónimo (Artai O'neill)

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