venres 28/01/22

Essa pertinaz inerência

Às vezes há factos que impactam em ti profundamente e conseguem que centres o pensamento em acontecimentos que fazem possível uma aperceção mais esclarecida da tua contorna e da tua realidade.

Um dia quando me dirigia ao meu trabalho essencial: termo que aparece no começo desta pandemia. Saiu-me ao caminho uma lesma. Levava tanto tempo sem ver este ser, que me emocionou fundamente e transportou-me de súpeto à aldeia. Colhi o celular e fotografei-a, para deixar constância do encontro. E nesse momento senti que se criava uma pertinaz inerência entre a lesma e as minhas raízes.

É absolutamente surpreendente observar a natureza e olhando-a, parece óbvio que a terra continua a ser o pulmão fundamental da nossa existência. E não pensem que é unicamente um belo elemento, ou a representação idónea para um texto poético. Que também o é!.

Más também é lindo ver que a terra continuamente emerge por entre as pináceas e os tojais, que são sem dúvida, os condutos adequados que avistam e transferem-te para aqueles caminhos enlameados, para os acessos de musgo da nossa infância. O recordo acolhe-nos dum jeito mágico e permanece onda nós, refugiado baixo a argila e os fentos, nas corredoiras, no húmido ar que recende a inverno. Nesse espaço calmo, a nossa identidade é um facto real, indiscutível.

Não obstante, na atualidade seguimos imersos numa discriminação atroz, case a mesma que havia no anteontem. Já que infelizmente a autocracia permanece agachada entre as silveiras e de cotio acossa-nos flagrantemente. Lamentavelmente são inumeráveis as ocasiões nas que descobrimos a situação de desproteção e conhecemos as dificuldades que existem para viver a cotio na tua língua, na tua cultura. Este é um facto triste, que desde que tenho memória está aí, de modo permanente, convertido num estímulo para prosseguir uma luta que afigura não ter fim.

A dessensibilização dum Governo segue com a intenção de fazer-nos passar por súbditos dum reino imposto, duma monarquia que não nos representa.

Vivemos suportando a manipulação absurda, dum Estado que se considera amo absoluto do território. Somos vítimas dum Império obsoleto que se agacha detrás de palavras caducas, constitucionalizadas.

A nossa cultura sempre foi deixada à margem, menosprezada. Mas ainda que desgraçadamente ainda hoje haja pessoas que se negam a utilizar o galego em todas as situações da vida. Não por isso as coisas vão a empiorar. Ao meu parecer, a nossa vinculação à terra fica cada vez mais indestrutível, sustentada no amor dos nossos devanceiros, inequívoca, indelével.

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