Opinión

Exortaçom ao 'Nós Diario' (I)

A exortaçom que consta do título deste artigo, endereçada aos redatores do ND —ou às redatoras do ND, com recurso ao feminino inclusivo, que o jornal prefere—, refere-se à necessidade de este diário, que se distingue por um firme compromisso com a nossa língua, se esforçar, ainda mais, por utilizar um galego rico e genuíno, nom subordinado ao castelhano, na esteira, por sinal, da valiosa proposta de lingua de calidade realizada polo Prof. Freixeiro Mato. Os redatores do ND já cultivam um galego bastante genuíno no domínio da morfossintaxe, com destaque para a construçom quase perfeita dos complementos diretos, os quais, em bom galego-português, devem surgir, em geral, sem a preposiçom a inicial que o castelhano usa. Assim, na primeira página do número do ND do passado 20 de maio, podemos ler corretamente "Traballadoras de residencias urxen a Xunta a intervir [...]" (e nom a alternativa errada, hoje tam freqüente, *"urxen á Xunta"), traço positivo, este, a que também deveria juntar-se umha construçom mais correta dos nexos de relativo ("A casa en que moro/na cal moro" [e nom "*na que"]) e um uso mais freqüente do infinitivo flexionado e do futuro do conjuntivo, com todo o rendimento expressivo que o lusitano e o brasileiro aí nos revelam.

No entanto, é no campo do léxico que os redatores do ND deviam fazer o maior esforço de aperfeiçoamento expressivo: embora nom seja atualmente desprezável o seu afám vernaculista no referente à restauraçom de palavras patrimoniais (como Galiza, mao/ ou (sexta) feira) e à coordenaçom com o luso-brasileiro no uso de variantes geográficas (fechar, xanela, etc.) e de neologismos (cartaz, despexo, surto, etc.), som ainda muitos os desvios que infelizmente registamos no vocabulário do jornal a respeito dos ideais de genuinidade e emancipaçom expressivas. A seguir, exemplificamos essas inadequaçons, que facilmente poderiam ser evitadas prestando atençom ao luso-brasileiro, com dous casos presentes nas manchetes da página acima referida. O primeiro dos lapsos envolve vocabulário patrimonial e surge aqui: "Maiores pasan fame no xeriátrico de Pazos 16 días após as denuncias".

Conviremos em que, no discurso formal e público, cumpre evitarmos o substantivo velho -a, porque pode sentir-se como ofensivo ou pouco delicado com as pessoas. Para o contornarmos, em galego dispomos de ancião -ã, mas este vocábulo nom se revela suficiente como alternativa a velho -a, polo seu sabor um tanto literário, de modo que precisamos de um outro eufemismo, que poda funcionar como forma comum. Em castelhano, como sabemos, tal eufemismo é mayor, que foi habilitado a partir do adjetivo que, nessa língua, permite comparar a idade das pessoas (ex.: "Rosa es la hermana mayor, y María, la menor"). Ora bem, em galego (genuíno), como também devemos saber, a idade das pessoas nom se compara com maior, mas com as fórmulas mais velho -a e mais novo -a (ex.: "A Rosa é a irmã mais velha, e a Maria, a mais nova"), de modo que o eufemismo que devemos habilitar para substituir velho -a nom pode ser maior, vocábulo que, em bom galego, temos de reservar para nos referirmos à maioria de idade, à maioridade, de umha pessoa, ou para compararmos tamanho ou importáncia (de facto, conforme o luso-br., em galego cumpriria evitarmos a fórmula analítica *mais grande, em favor de maior). Entom, a que palavra poderemos recorrer em galego como eufemismo comum de velho -a? Como sempre, o luso-brasileiro fornece-nos a soluçom idónea: idoso -a, que naturalmente remete para 'pessoa de idade avançada'.

Reparemos em que o útil vocábulo idoso -a nom é um neologismo pós-medieval que o galego deva incorporar a partir do luso-brasileiro. Na realidade, trata-se de umha velha palavra galego-portuguesa que o galego popular conservou até à época contemporánea, e que, como tal, é catalogada nos dicionários de Pintos (1865), Ibáñez (1956), Filgueira (1926), Carré (1928-31) e Franco Grande (1972), se bem que nos três últimos, já algo deturpada, como *edoso. Portanto, em prol da autenticidade e da emancipaçom do galego, devemos revitalizar tal palavra da nossa língua tradicional e, fazendo frente à estagnaçom e suplência castelhanizante, de harmonia com o luso-brasileiro, devemos habilitá-la como eufemismo comum (lar de idosos, etc.). Fique, entom, a nossa manchete como "Idosas pasan fame [...]".

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