venres 18/06/21

Carlos

Ontem, umha amiga dizia que escrever cartas a aquelas pessoas que já nom estám ajuda-nos a dizer aquilo que fica pendente, assim que ides desculpar que utilize hoje esta coluna como desabafo e solte um pouco do que leva dias oprimindo-me no peito.

O desenlace deste pesadelo que começou aquele 19 de janeiro foi imprevisível. Quiçá por isso ainda é mais duro assumir a tua perda.

Gostaria de contar-vos tantas cousas do meu pai. Nom era nem muito menos perfeito. Com as suas virtudes e defeitos exerceu como melhor soubo de companheiro, pai e avô. Assumir responsabilidades sendo um neno para contribuir na precária economia familiar marcárom o seu caráter e o seu compromisso com a sua classe. Começou a trabalhar aos doze anos nos armazéns Rafael e Vicente. Antes de fazer os dezasseis embarcou rumbo a Terranova num bacalhoeiro para posteriormente entrar em Bazán como aprendiz de soldador. De 1972 a 2013 percorreu mundo trabalhando na maioria de auxiliares do setor. Represaliado por denunciar o despido improcedente em Nervión valeu-lhe nom voltar a trabalhar até que se pré-reformou quatro anos depois.

E quando chegou o dia, que feliz estavas! Cumprias o sonho de ter um barquinho para ir aos chocos e quase ao mesmo tempo chegava Deva. Apenas puideches desfrutá-lo.

Como me dixérom estes dias várias pessoas, papá eras “mui grande”. Dim que a familia nom se escolhe, mas se tivera que voltar a nascer só tu poderias ser o meu pai. A tua memória seguira viva em nós.

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