luns 03/08/20

Afonso

Caro amigo, semelha que foi ontem quando combinábamos para comer nalgum lugar perto de Riazor ou na Estaçom de Autocarros da Corunha e tentar pôr soluçom coletiva aos problemas que surgiam no Gomes Gaioso ou em NÓS-UP. A tua lealdade e confiança sempre a levarei no coraçom.

Semelha que foi ontem quando passache com o Diego, antes de marchar de férias, por Ferrol para combinar com o Máuri. Lembro quando saías da Artábria. Voltache a entrar para te despedires de mim. Nom o sabíamos, mas seria a última vez.

Ontem cumpria-se um ano desde aquele 29 de julho em que recibia umha chamada dessas em que ficas em silêncio e afloram as bágoas. Já nom veria mais esse sorriso pilho, de olhos rasgados. Como era possível? Marchavas jovem e de maneira inesperada, perdendo este país um dos bons e generosos.

Poderia contar-vos mil e umha estórias desde aquela primeira vez que nos conhecemos. Como esquecer as tuas piadas politicamente incorretas. Nom podo evitar sorrir lembrando aquele dia que baixamos desde Monte Alto ao Orçam, depois dum concerto da AMI, e fomos parando em todas as tascas que serviam taças de vinho… e rematamos com o Paulo escaralhando-nos de risa às portas daquele antro. Escrevo e vam surgindo lembranças de todas aquelas ceias e saídas de rachi pola Corunha ou Compostela contigo.

Vou despedindo-me e fago minhas as palavras da nossa amiga Sés: “Obrigada Afonso por tanto riso e tanto amor”. Seguiremos a tentar mudar a realidade construindo de baixo para cima. Devemos-cho.

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