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Semana da Terra: Galiza, a necessária soberania

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Semana da Terra: Galiza, a necessária soberania

Estamos celebrando em Lugo a semana dedicada a Terra. Nosso Lar Sagrado. Todos os indicadores sobre o câmbio climático estão a nos advertir da situação crítica do Planeta. "Se a humanidade deseja conservar um planeta semelhante no que nossa espécie se desenvolveu e para o que a vida na Terra está adaptada, os níveis de CO2 deveriam ser reduzidos a 350 ppm", J. Hansem. Estamos em mais de 400, agora. No intuito de aumentar o crescimento económico lançamo-nos a louca carreira que não respeita a lei da natureza: a reciclagem de matéria e energia. Tudo é extraído da Terra sem termos em conta o deterioro do espaço comum: oceanos, rios, montes, solos, atmosfera, biodiversidade. Fala-se riqueza sem contar os custos ambientais. Isso é pirataria. O sistema capitalista atual está baseado no roubo. Contabiliza o rendimento económico de gerar energia valorando só o ganho em watios e, se calhar os custos da construção, mas nunca as perdas em sofrimento humano, em solos férteis, na cultura das pessoas que deixam suas aldeias para se espareger por esses mundos fora, na saúde dos rios, e na saúde do mar.

Esgotadas as matérias primas de carvão e petróleo estamos a assistir agora ao assalto às nossas sagradas montanhas por campos eólicos. Não se contabiliza no lado do deve o deterioro ambiental global, as alterações do ciclo hidrológico que alimenta os prados dos vales, a diversidade biológica ameaçada, a perda do património histórico e cultural. Os serviços ecossistemicos. O gasto em linhas de transporte até os grandes consumidores: as cidades. Trazemos os alimentos desde qualquer parte do mundo pagando misérias aos seus produtores e provocando uma forte pegada ecológica com seu transporte. Para produzir mais e mais enchemos a terra de adubos, pesticidas, herbicidas, inseticidas e lixo aumentando nossa dependência económica dos grandes monopólios que controlam essas substancias que são alheias à natureza e aos nossos corpos. Luxamos a Terra com alérgenos que nossos corpos rejeitam. Perdemos as sementes autóctones em benefício de organismos geneticamente modificados cuja patente está nas mãos dos grandes monopólios. A Terra abandona-se e com ela toda a cultura que ali fora criada, para ser plantada de eucaliptos. Monoculturas que deixam os solos pobres sem insetos, ervas diversas e microrganismos que fertilizavam de jeito natural. A rotação de culturas, que facilita a auto regeneração dos solos, está a ser abandonada polas monoculturas que os empobrecem. Há, neste momento, alarma mundial pola perda de solos. Galiza sempre teve uma agricultura eficaz. Baseada na soberania alimentaria, na diversidade ecológica, no minifúndio, que podia manter uma densidade de população superior a média da Espanha. Agora a nossa demografia está em declive. Isso é um mal sintoma indiscutível.

Somos roubadas do nosso ambiente e da nossa cultura para produzir energia que pagamos a maior preço de Espanha. Pagamos mais cara a luz na Galiza que em Madrid, a grande consumidora que não produz. Algo não está bem! Este modelo que pretende urbanizar toda a terra é o grande causante da crise ecológica do planeta. As cidades são as grandes chuchonas de energia e todo género de produtos que tem de ser fabricados algures. Temos que parar o urbanismo. É preciso voltar a distribuir a humanidade por pequenos núcleos auto-suficientes. Recuperar as nossas montanhas nos montes vizinhais e de mão comum, nossos rios e rias, nossos mares. Nossa cultura ancestral, o indigenismo, com os valores que colocam a natureza no centro e sabendo muitas cousas que agora conhecemos: Gerar eletricidade sem modificar nossos rios, rotar culturas para manter a fertilidade da terra, tirarmos recursos energéticos do monte sem o destruir, manejar a fauna selvagem e a biodiversidade. Ainda podemos. Estamos a tempo de tomar as rendas do nosso país e, com solidariedade como sempre fiz Galiza ajudar a outros a fazê-lo. Temos que parar o louco crescimento. Galiza é qualidade não quantidade. Com poesia e ação na crença da força da palavra.

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