mércores 14/04/21

Produzir e consumir, onde está o limite?

Estamos assistindo ao grande assalto ao território das empresas energéticas. Nada fica fora da sua cobiça. Os montes são seus objetivos prioritários. Aqueles santuários que guardam a nossa paisagem, onde nascem os nossos regatos e rios maiores, onde existem ainda pegadas dos nossos mais antigos povoadores, petróglifos, mámoas, restos arqueológicos e a biodiversidade que ficou protegida nas nossas sagradas montanhas.

Na Galiza estão instalados mais de 3.000 megawatios en data de 2017 em que faturaram mais de 700 milhões de euros ao ano. Deste dinheiro pouco ou nada ficou aqui. Está projetada a instalação de mais de 5.000 MW para ano 2020 e duplica-la para o 2030. Na Galiza há instalados unha media de 115 kW/km2, fronte os 46 kw/Km2 do Estado espanhol, ou os 72 kW/km2 da Alemanha. Sabemos que atualmente sai fora da Galiza um terço da nossa produção elétrica conseguida a custo dos nossos rios, nossos montes e muita da nossa riqueza natural. A única proibição para ocupar os cumes da nossa Terra é que estejam declarados Rede Natura. Mas esta Rede em Galiza representa apenas o 15,2% do território por baixo da media estadual do 28%. Muitos destes parques eólicos instalarám-se em lugares em que estava prevista a ampliação da nossa já pequena Rede Natura, polo que irão afetar a zonas de alto valor biológico. Os objetivos para a transição energética são completar 89,5GW de energia eólica e fotovoltaica para o ano 2030. A finais de 2020 há já autorizados 165GW,polo tanto na atualidade existem já autorizados e com permissão de conexão à rede um 84% mais da potencia prevista para 2030 na Espanha. Em Galiza temos mais 4.026 aerogeradores instalados. Parte a alma ver o destroço do Roncudo ou de qualquer das nossa serras.

Como ecologistas partidárias da redução da pegada de carbono na Terra, e trabalhadoras na correção das mudanças climáticas, pode parecer uma contradição a nossa oposição aos campos eólicos. Mas não é tal. Sabemos que a energia é necessária, este é um axioma de qualquer sistema ecológico, mas ao que nos opomos é a sua instalação sem se ter feito uma avaliação estratégica correta. Não podemos apoiar a destruição da fauna, nomeadamente aves que ficam destroçadas nas aspas das ventoinhas. Opomo-nos à construção indiscriminada de pistas que tudo rompem e modificam o ambiente sem qualquer cuidado nem previsão de futuro. Opomo-nos as daninhas mudanças nos cursos de água e poças que se encontram agochadas nas montanhas.

Opomo-nos a especulação e o negocio que está detrás desta vorágine que não vai deixar uma só das nossas serras livres de eólicos e das suas consequências ambientais. Expulsam ao habitantes do contorno. No ano 2005 o Conselho da Cultura Galega publicou um estudo sobre a natureza ameaçada, coordenado por Ernesto Vieitez. Nesse estudo já se indicava que a biodiversidade abrigada nas sagradas montanhas devera ser guardada e cuidada pola sua especificidade e sua peculiaridade, sendo as montanhas orientais, as que limitam com Berço, Zamora e Astúrias as mais vulneráveis. Precisamente estas agora vão ser objeto de escárnio e destruição se forem avançar os projetos eólicos desenhados para elas. O cume da Galiza, Pena Trevinca, vai ser coroado por moinhos de mais de 200 metros de altura. Galiza já contribui abundo com a energia que cá se produz Toda a Cordilheira Cantábrica também. Pagamos nós as perdas polo transporte e temos a energia mais cara do estado. Não é tanto produzir, como controlar o consumo. Este par devem ir juntos (P-C). Apoiamos a soberania energética como meio de regular a justiça ambiental. Esta reside na capacidade duma comunidade de gestionar este par (onde, como e quanto a P-C). Contradiz o modelo ultra-capitalista centralizado e governado polos grandes monopólios.

Que estão se aproveitando da alarma climática e ambiental para absorver fundos económicos das políticas de transição ecológica e se fazerem ainda mais ricos e poderosos. Transformando o Plan nacional de energia y clima num projeto destrutivo e insolidario para o ambiente e a sociedade. Apoiamos o auto-consumo, a eficiência e o aforro como eixos fulcrais da soberania energética que permitir iria a cidadania a estabelecermos mecanismos para abastecermo-nos independentes das grandes companhias elétricas. Reduzir iria seu poder e a Terra no-lo agradeceria .

Produzir e consumir, onde está o limite?
comentarios