Opinión

Cautela: obras!

Obras! Ai é onde está a massa! Todos os Concelhos devezem por fazerem obras. Nelas movem-se grandes quantidades de dinheiro que sempre pode deixar algo. Todas precisam de cimento. Desde a sua extração até a fabricação é uma das atividades mais poluentes. A poluição implica à saúde dos ecossistemas e a saúde humana. Micropartículas que afetam gravemente ao sistema respiratório são desprendidas com poluição do ar e desprendimento de CO2. Na sua elaboração precisa-se altas temperaturas. Queima-se combustíveis fósseis ou outros e consome-se água para a refrigeração dos fornos. Considera-se que esta indústria é responsável pelo 5% de todo o CO2 da atmosfera, num balance de 900 kg de CO2 por cada 1000 kg de cimento produzido. Quanto mais cimento, mais contaminação. As cidades consomem inúmeros recursos como o cimento. O processo atual de progressiva urbanização e abandono do território, traz muitos problemas ambientais e sociais. As câmaras abusam de fazerem obras sem terem em conta o prejuízo que se lhe está a causar ao ambiente em geral.

Em Lugo duas obras ameaçam o equilíbrio já instável da cidade: a Rolda Leste e a urbanização da esquina de São Roque com o Carril das Flores. A Rolda vai cruzar polas derradeiras carvalheiras que ainda envolvem a cidade de Lugo. Vai paralela ao rio Rato até o Fervedoira pola sua margem esquerda. Romperá o aldeamento de Bosende com numerosos núcleos habitados disseminados entre corredoiras, caminhos e hortas. A zona afetada é um pulmão verde para Lugo. É um lugar importante como fornecedor de serviços ecos-sistémicos quer para a cidade quer para o ambiente em geral. Valados quarteiam o território albergando inúmeros seres vivos e contribuindo â biodiversidade. Esta via vai fazer muito dano ambiental e na saúde das pessoas, porque vai privar-nos daquele espaço ainda naturalizado que constitui os restos do cinto verde de Lugo. E não é necessário pois desde o nó de Nadela chega-se com comodidade até o hospital provincial HULA. Qual é o motivo da sua construção? O dano ambiental que se faz com as obras deve ser avaliado para saber se merece a pena polos serviços que se pretendem dar á cidadania e os que se lhe vão retirar. Cortará as águas que descem para o Rato num terreno de pendente acusada. E abrirá uma fenda entre seus dous lados. Rompendo a estrutura primitiva da antiga "terra a quadros". A urbanização do Carril das Flores, afeta a dous BIC: a muralha que ultrapassa em altura ocultando seu perfil e o caminho Primitivo á sua entrada em Lugo. Mais cimento e menos talento. Esta obra está recorrida por diferentes coletivos da cidade, porque querem que seja habitável e amável para seus habitantes. Uma cidade que conheça sua história e capaz de construir um presente saudável. 

O urbanismo que sofremos atualmente é o pior inimigo da estabilidade ambiental e social. Oculta as águas, esquece a harmonia necessária dos prédios permitindo volumes segundo as exigências dos empreiteiros. Supõe um dispêndio exagerado de recursos que finalmente transformam-se em lixo difícil de tratar. Uma cidade sempre está em obras, sempre em construção. Dispensando cimento, água e poluindo o ar. São as principais causantes do cambio climático, com as suas ilhas de calor, geradas pelo reflexo dos pavimentos, a acumulação de prédios e concorrência de autos. As cidades não deveriam de seguir medrando. São como um monstro que tudo o engole: arvoredos, terra fértil, água limpa, ar saudável, história. Sei que é difícil travar o crescimento urbano. Mas compre ir apontando ao alvo das causas da degradação ambiental que a Terra está a sofrer e que teremos de superar com inteligência e visão quer sincrónica quer diacrónica. Não fazem falha mais obras. Cuidemos do que agora temos e da natureza que nos fornece seus serviços ecos-sistémicos. 

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