luns 19/04/21

AVE ou transporte tradicional?

Nestes tempos andam a levantar-se diferentes propostas e queijas, na Galiza e em Lugo acerca do desleixo en que a administração do estado está a manter com a nossa cidade e a nossa província. São relativas ao Trem de Alta velocidade comummente chamado AVE.

Desde o nosso ponto de vista ecologista o Trem é o médio de transporte mais econômico, seguro e ecológico. Ainda o mais perdurável no tempo, porque pode ser electrificado, mantendo-se independente dos combustíveis fósseis, que como se sabe têm atingido o seu pico de reserva já.

Mas nós nom defendemos as linhas chamadas de Alta Velocidade e sim as tradicionais já construídas ou reformadas para dar maior serviço a nossa população e facilitar a integração do nosso território. Temos linhas que unem Lugo com Monforte desapreçadas e infra-utilizadas. Este caminho está já feito. O território já foi agredido para a sua construção em seu momento.

Nós nom defendemos as linhas chamadas de Alta Velocidade e sim as tradicionais já construídas ou reformadas para dar maior serviço a nossa população e facilitar a integração do nosso território

Há muita gente que se desloca a diário entre Monforte e Lugo, e, mais ainda, entre Sárria e Lugo. Na atualidade nom o fazem muitos em comboio, porque este não dá bom serviço. O tempo de viagem é menos de uma hora (entre 59 minutos e 53), parecido ao que levaria de ser em carro privado. O preço da viagem varia desde 6,30 euros o de media distancia até 15,10 se for Tren Hotel. Bem menos que o custe da gasolina e o risco que implica andar em coche.

Desde Monforte podemos ir a case todas partes. Só que os horários têm que ser funcionais, para que a viagem, por exemplo de Lugo a Vigo, não dure como agora 5 horas (o mesmo que de Lugo a Madrid). Os caminhos de ferro, quando se cuidam, são rendíveis. Assim por exemplo a linha Corunha -Vigo é a de maior beneficio do Estado Espanhol. Em 2 de setembro de 2015 registaram-se, nesta linha, mais de 1.000.000 de viageiros em 5 meses.

Certamente, a população de Lugo é muito menor que a do corredor Atlântico, mas o numero de deslocações na linha interior é grande. Há muita gente que trabalha em Lugo vivendo em Sárria e Monforte. E vice-versa.

A nossa proposta é de aproveitar ao máximo o que já temos. E melhorá-lo, fazendo uteis os caminhos de ferro já tracejados

Pola contra, não há tanta gente que tenha que ir a Madrid desde Lugo. O serviço poderia melhorar, mas nada há que justifique o destroço ambiental de construir um AVE para Lugo. A nossa proposta é de aproveitar ao máximo o que já temos. E melhorá-lo, fazendo uteis os caminhos de ferro já tracejados. Parece um desproposito construir viadutos para um ave que nunca vai voar, e nom ter electrificadas as linhas já existentes.

Ainda poderiam ser projetadas outras, necessárias para o desenvolvimento de Lugo, como a linha Lugo-Santiago. Esta é uma grande eiva que tem Lugo e que a discrimina fortemente com qualquer das outras capitais galegas. Um enlace entre Curtis (na linha Lugo- Corunha) e Lavacolha implica uns 40 Kilometros, bem menos caro e com menor impacto ambiental que a construção duma linha de alta velocidade. Ainda deveria de haver um trem lançadeira entre Compostela e Lavacolha que mantivesse bem comunicada a Capital da Galiza com seu aeroporto. E a gente de Lugo também.

A construção de linhas de alta velocidade implica um grande esbaldimento de recursos. Econômicos e ambientais. Os econômicos geram grande desconforto e mal-estar, mas os ambientais são irreparáveis.

A nosso custo sabemos que o negocio para grandes companhias construtoras e para políticos de turno está sempre nas grandes obras. Querem ter algo magnífico para mostrar aos eleitores. Querem satisfazer os seus egos e passar a historia, e querem parte do botim que se esconde nestes projetos. Mas já tivemos abondo deste exemplos de más práticas de governo e ambientais. Cidades da Cultura, portos desportivos, passeios marítimos e fluviais que nom levam a nenhures, autoestradas infra utilizadas, e custosas de manter, etc.

Não seria chegado o tempo do sentido comum? De aforrar os nossos recursos, quer econômicos quer ambientais? De dar serviço as populações e não a megalomania? Galiza produz mais eletricidade da que consome. Mas é a última em electrificar as suas linhas de caminhos de Ferro.

Nós propomos um Trem do Povo. Electrificado, versátil, e conectivo. Barato e útil. Que conecte o País verte brando-o. E sem por isso pór em causa a nossa conexão com o resto do mundo. Desde Ferrol pode-se chegar por Trem até San Sebastian. As linhas estão feitas. O destroço ambiental necessário para transformar esse caminho numa linha rendível não é demasiado alto.

Galiza produz mais eletricidade da que consome. Mas é a última em electrificar as suas linhas de caminhos de Ferro

Também está feito o caminho de Ferro entre Lisboa e Corunha. A Lugo faltar-lhe-ia ser conectado com a sua costa. Com Viveiro ou Ribadeo.

Estas linhas que propomos desde o ecologismo implicam uma boa administração dos nossos recursos. Não um derroche. Reclamemos um serviço ágil com Madrid, mas também com Ourense, Monforte, Vigo e , como não com a fronteira francesa e a portuguesa. E, sobre tudo, reclamemos ser considerados como cidadãos da mesma categoria que os outros do estado espanhol, electrificando as nossas linhas. Já que eles se beneficiam da eletricidade que se produz aqui, bem deveria de ser que nós tivermos as nossas linhas bem electrificadas com a energia que produzimos a custo do nosso ambiente.

Tenham em conta que Madrid tem todos os seus serviços de cercanias com tarifas eléctricas subvencionadas. Essa electricidade produze-se em Galiza e noutros pontos do estado Espanhol. Somos os pobres esquecidos que subvencionamos as perdas de eletricidade provocadas por transporte. Desde a periferia até o centro improdutivo da península (Madrid).

Nom estamos isolados. Estamos num lugar estratégico do mundo. No meio do Atlântico

Temos no Estatuto de Autonomia galego reconhecido o nosso direito a planificar as nossas vias de transporte quer estradas quer caminhos de ferro. Haveria que reclamar essa competência já reconhecida no estatuto. E planificar a nossa rede ferroviária conforme aos interesses da Galiza. No seu conjunto. Sem nos deixar deslumbrar por grandes aparências que nada vão resolver na nossa cotidianidade nem na nossa economia.

Numa politica de transportes bem integrada é fundamental pór todos os nós de comunicação em contacto. Estações, portos e Aeroportos. De Vigo sai uma das autoestradas do Atlântico mais importantes que conecta este porto com Nantes em Bratagne e um comboio que vai até Lisboa. Nom estamos isolados. Estamos num lugar estratégico do mundo. No meio do Atlântico. Todo o trafico europeu passa por diante do nosso nariz. Tiremos proveito disso valorizando bem as nossas opções.

Nom repitamos erros traumáticos como o do Alvia a Compostela, incompleto, zurzido e de má qualidade que custou a vida a 80 pessoas e feridas a 145. O importante sempre é chegar. Não que isso se faça uma hora ou uns minutos antes, se não se reúnem as condições minimas de segurança.

Aconselho desde aqui ver o filme documental premiado em múltiplos certâmens de cine, FRANKENSTEIN 04155. Lá se refere com critério científico todo o acidente do Alvia em Angrois. E dá para tomar lições e nom voltar a cometer erros tão graves e que custaram tantas vidas.

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