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Manuel García Sampayo: a engrenagem necessária

Susana Sanches Aríns | 31 de decembro de 2020

Manuel García Sampayo na sua granja de porcos em 1935. (Foto: Boletín del Sindicato de Productores de Semillas)
Manuel García Sampayo na sua granja de porcos em 1935. (Foto: Boletín del Sindicato de Productores de Semillas)
Em 2015 publiquei na editora Através uma obra, seique, que pretendia deitar luz sobre a figura de Manuel García Sampayo, irmão da minha avó paterna e conhecido repressor na comarca do Salnês. Senti a obriga de contribuir a rachar com o silêncio sobre o tema. Em 2019 publicamos uma segunda edição ampliada: graças à colaboração das leitoras e dalgumas das vozes que pesquisam na memória do 36 demos com dados que arredondavam a figura do tio Manuel. Arredondavam e confirmavam o seu papel de vitimário. 

Decidi pesquisar por confirmar se Manuel García Sampayo participara no assassinato destas e outras vítimas do franquismo. Toda a informação que juntei fez parte do seique. Não dei com prova ou testemunho que confirmasse a participação do tio Manuel nesses feitos, mas com a publicação do livro guardava a esperança de que alguém que soubesse, lesse, falasse e afirmasse, alto e claro “sim (não), o teu tio-avô sim (não) foi um assassino”.  

E de maneira inesperada, o nome ecoou, as vozes apareceram-se e pudemos arredondar na figura de um integrante das Guardas Cívicas no rural. 

Manuel García Sampayo participava, em tempos da República, das ações de melhoramento da atividade agrícola promovidas por Cruz Gallástegui desde a Misión Biolóxica de Salcedo, Ponte Vedra. Presumia de criador de porcos no Boletín dos Produtores do Sindicato de Sementes em 1935. E não podo deixar de pensar no cinismo de ser ele, Manuel o montanhês, um desses lavradores arriscados que desejava Castelão no seu Sempre em Galiza. Em outubro de 1936 a Misión reclamava-lhe o pagamento de 4.500 pts., todo investido em porcos de cria e ceva. Polo dinheiro que gastou entre esses anos e a década de ‘50 podemos confirmar que a sua situação económica foi folgada.  

Quando o golpe de estado a família toda estava claramente posicionada no bando que seria vencedor. Dous dos irmãos de Manuel foram luitar ao frente. Eu duvidava se voluntaria ou forçosamente mas o neto de um deles, Rafael, confirmou: foram porque concordavam com os objetivos dos sublevados.

Ao tempo, o tio Ramón, o falangista bom, foi nomeado, já em agosto de 1936, alcalde de Meis. Afirma a filha, Célia, que dos irmãos era ele quem tinha os contactos e amizades nos poderes franquistas, entre eles o governador civil da província. Rafael García Sampayo, outro irmão, também exerceu a alcaldia, em Riba-d’Úmia, entre os anos 1943 e 1944.

Manuel ficou na casa, a cargo das terras e do controlo vicinal. Em quanto o irmão, Ramón, se fazia cargo da Alcadia de Meis e, em paralelo, da Jefatura do Movimento desse concelho, ele integrava a Guarda Cívica da zona, com outros nomes dos que nada mais sei: Coira do Casal, Mougán de Leiro, Vázquez de Zacande, Adolfo Martínez Ríos. Célia, a filha do tio Ramón, o falangista bom, contou que Víctor Lis Quibén parava amiúde na casa do pai, que era amigo.

Víctor Lis comandou desde Ponte Vedra a repressão em toda a comarca, liderando a Guarda Cívica. Duvido que as ações da quadrilha de tio Manuel fossem desconhecidas para ele. Mesmo que não fossem induzidas.   

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