sábado 11.07.2020

Aval do Comitê Central do PCP ao programa de esquerda do PS

O governo de esquerda em Portugal, um facto inédito em 40 anos de democracia, está já pronto, após o Comitê Central ter aprovado este domingo -por unanimidade- o pre-acordo alcançado com a direção do Partido Socialista.

 

Congresso do PCP
Congresso do PCP

Antes da realização do Comitê Central da formação comunista, a Comissão Nacional do PS já havia aprovado o programa de governo de António Costa. O secretário geral socialista classificou a aprovação como um apoio “inequívoco” do partido ao acordo com as formações políticas de esquerda -o Bloco e o PCP- para um eventual novo Governo.

Com 163 votos a favor, 7 em contra e 2 abstenções, a Comissão Nacional do PS deu-lhe luz verde ao programa de governo de Costa, quem se amostrou satisfeito pelo apoio “inequívoco” do partido ao acordo com Bloco e PCP. O resultado chega após o depoimento do europarlamentar socialista Francisco Assis, para quem a aliança de esquerda constitui um “erro histórico”. À saída da Comissão Nacional, Álvaro Beleza, um dos dirigentes mais críticos com a proposta de de Costa, disse que aguarda que as suas duvidas não tenham razão de ser e que o governo de esquerda seja bom para o país.

O programa de Costa propõe o aumento do salário mínimo aos 600 euros, mais não se irá materializar até a finalização dos quatro anos de mandato do governo

Segundo informa a RTP, o programa de Costa propõe o aumento do salário mínimo aos 600 euros, mais não se irá materializar até a finalização dos quatro anos de mandato do governo. Aliás, anuncia que as e os empregados públicos voltarão a receber os salários na sua totalidade a finais do ano vindouro. Quanto à sobretaxa do IRS (Imposto sobre o Rendimento de Pessoas Singulares), a ideia seria a sua supressão no praço de dois anos. As pensões seriam ainda descongeladas e o novo governo reduziria o IVE para a hostelaria. Também não se descarta anular a privatização da TAP.

O acordo de esquerda abre um cenário de alternativa para o país, sendo que a Assembleia da República vai chumbar o programa de governo de Passos Coelho no debate que irá começar esta próxima segunda feira. O líder da direita está em minoria no Parlamento e isso garante o triunfo da moção de rejeição que lhe têm apresentado as três forças da esquerda. Isso acarreta a demissão de Passos Coelho e devolve a bola ao presidente da República, quem terá de decidir se indigita António Costa como novo presidente do governo ou opta por manter o atual primeiro ministro em funcões.

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