sábado 19/06/21

Um Carvalho de muitas pólas

A Real Academia Galega (RAG) celebra no dia de hoje o acto principal do Día das Letras 2020. Um acto várias vezes adiado e finalmente celebrado na intimidade do streaming. Diga-se o que se diga, as Letras 2020 não tiveram uma comemoração dentro dos limites habituais. O acto de amanha deveria ser, não o derradeiro do dia das letras 2020 mas o primeiro do demandado prolongamento.
Imaxe dun carballo. (Foto: Nós Diario)
Imaxe dun carballo. (Foto: Nós Diario)

Carvalho Calero escreveu muitas e variadas páginas sobre muitos e variados temas, umas assinadas com o seu próprio nome, ou com as iniciais dele e outras com pseudónimos ou, pelo menos num caso, com um heterónimo que o acompanhou até a década de 1970.

Quando em 1979 Carvalho Calero publica Estudos Rosalianos. Aspectos da vida e da obra de Rosalía de Castro inclui no volume um artigo titulado “O motivo do cravo” e, no final do texto, a referência da primeira publicação: “La Noche, suplemento del sábado, núm. 5, 12 noviembre 1949”.

Se consultamos essa referência no suplemento original, comprovamos que esse artigo, com idêntico contido, aparece assinado por Fernando Cadaval no suplemento do diário compostelano. É esta a primeira duma série de colaborações que com esta assinatura se iriam estender, nesse meio, até 1964 e até bem entrada a década de 1970, noutros.
Em abril do ano seguinte, 1950, o próprio jornal La Noche indica que este Fernando Cadaval é pseudónimo de Ricardo Carvalho Calero. Difunde-o ao dar conta da concessão a Carvalho do prémio de romance instituído pela sociedade Bibliófilos Gallegos e que recai na obra A Gente da barreira. A este respeito diz o diário vespertino santiaguês: “Ricardo Carballo Calero, el novelista galardonado, es un escritor de merecida fama en los círculos literarios gallegos … Las últimas muestras de su pulcro estilo como prosista aparecieron en La Noche, donde colabora bajo el seudónimo de Fernando Cadaval”.

Anos mais tarde, no libro Conversas en Compostela con Carballo Calero, o próprio Carvalho certifica este facto a M.A. Fernán-Vello e a F. Pillado Mayor: “E publiquei artigos co pseudónimo de Fernando Cadaval. Algúns deles están recollidos en libros posteriores”.

Não foi este o único pseudónimo que utilizou Carvalho. “Eu teño empregado muitos seudónimos” diz em mais de uma ocasião. Sendo ainda rapaz novo publicou textos com o pseudónimo Ilex “Ilex é aciñeiro en latín e, en certo modo, é unha traduzón do meu apelido” e já em períodos posteriores, ademais de Leopoldo Calero, diz ter empregado o pseudónimo de Eduardo Colmeiro, por exemplo.

Na revista Grial há algumas recensões de livros assinadas por M. Dumbria, ou Martiño Dumbría, uma personagem da novela de Otero Pedraio Devalar. Na revista Agália assina como M. Dumbria e publica os “Provérbios otomanos” sob Namiq Ziyá. Ainda na Agália assina algum texto como P. F. (Pauviños Fontenla). Martiño Dumbría e Pauviños Fontenla são duas personagens do romance Devalar, de Otero Pedrayo e nelas, nessas personagens, aparece refletido o espírito “da mocidade que traballava entón no seminário de Estudos Galegos. Esa é a razón de que escollese o nome de Martiño Dumbría, que era un seminarista como fun eu. Seminarista do Seminario de Estudos Galegos, porque eu, a diferenza dunha grande cantidade de escritores galegos, nunca pasei polo seminário conciliar”.

A dilatada convivência de Carvalho e Cadaval

No sítio web da Fundación Luís Seoane podemos ler esta biografia de Fernando Cadaval: “Escritor, poeta e xornalista. Colaborador en La Noche e Galicia Emigrante, con traballos onde reflexiona sobre a poesía. Tamén escribiu poemas en Aturuxo, revista de poesía editada entre 1952 e 1960”.

Em 1954, em carta de Del Riego a Luís Seoane, datada a 3 de novembro, del Riego di ”Te adjunto un artículo de Emilio Alvarez Blázquez y otro de Fernando Cadaval para la Revista”. Tal vez por isso no sitio web citado aparece com a mesma consideração que qualquer outro autor sem indicar que se trata de um autor carente de correspondência humana.

Segundo Carvalho a génese de Fernando Cadaval arrancaria quando começam as colaborações em La Noche e nasceria por sugestão de Xosé Luís Goñi, na altura diretor:
“Somente indicou (Goñi) á persoa con que falou este asunto (...) que cría que eu debía considerar se non sería conveniente que utilizase un seudónimo. Así naceu o meu seudónimo Fernando Cadaval”. “A miña muller nasceu nunha aldeia de Lugo que se chama O Cádavo. Creio que ese feito foi o que me suxeriu o apelido Cadaval. Polo que se refere ao nome de pía, Fernando, a verdade é que non sei a motivazón que pode haver. Talvez polo seu ritmo acentual, pola sua suma de fonemas. Eu teño muitos nomes. Chamo-me Ricardo Leopoldo Anxo Xosé Xerardo, pero non Fernando”.

Álvaro Paradela, en La Noche de 30 de maio de 1963 –já passara a primeira celebração das Letras Galegas– pergunta-se sobre as razões de Carvalho adotar esse nome para as suas colaborações em La Noche e chega ás seguintes conclusões “Carvalho toma o nome de Fernando Cadaval do Cadaval de Freixeiro, no couto de Narón e Fernando de Fernán d´Esquío, poeta trobador nativo de campos e bosques de Ferrolterra”.

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