Contracultura

Paulo Fernandes: "Mais da metade dos poemas de 'Feixe levián', de Carvalho Calero, estão completamente inéditos"

Paulo Fernandes Mirás (Ordes, 1990), formado em inglês e galego-português na Universidade da Corunha, onde continua os seus estudos de doutoramento em Estudos Literários. Nestes anos deu-se a conhecer como antólogo de Ricardo Carvalho Calero (2019) e Ernesto Guerra da Cal (2020) com obras publicadas em Através, ainda que ao primeiro ao que tem dedicado mais estudos, como a biografia Ricardo Carvalho Calero (Ir Indo, 2020) ou a edição da obra completa que forma parte da sua tese. Numha investigação para esta deu conta da aparição dum poemário inédito que será editado ao longo deste ano. Também em 2022 debutava como autor literário em Através com o livro de poemas 'Estado Demente Comrazão' (2022).
O escritor e estudoso de Carvalho Calero Paulo Fernandes Mirás. (Foto: Nós Diario)
photo_camera O escritor e estudoso de Carvalho Calero Paulo Fernandes Mirás. (Foto: Nós Diario)

—Como nasce o seu interesse por Ricardo Carvalho Calero?
Penso que como todas as pessoas que fizemos estudos em Filologia começou polo seus estudos sobre a literatura e também no conhecimento da sua Gramática. Daquela eu não sabia que também era autor literário até que dei com um exemplar de Pretérito imperfeito, a sua antologia de 1927-1962, num alfarrabista. Gostei e posso dizer que segui mercando os seus livros e que esses livros me trouxeram até aqui. Polo meio ainda dediquei à sua obra os trabalhos de fim de grau e algum mais do mestrado, também unidades didáticas no curso de formação de professorado.

—Como deu com esse inédito do autor?
Ao longo da tese, que é uma edição da poesia completa, reunira já umas 50 entradas, entre livros, revistas… e o último passo era ir à sua biblioteca pessoal, que está no Parlamento Galego por mão de Pilar García Negro. Ainda hoje não está catalogada por completo e é uma loucura o caos que ali há. Depois de dar muitas voltas atopei lá mais de cem versões alternativas de poemas, trinta poemas inéditos e, a mais, este poemário composto de 61 poemas, 39 deles também completamente inéditos. 

—Fale-nos mais desse achado.
O seu título é Feixe levián e leva as datas de 1934-1948. Fora enviado a Buenos Aires ao certame do Centro Gallego. Disto há várias referências na correspondência com Francisco Fernández del Riego: nunca menciona o título, mas sim o tamanho do pacote que enviou. É um pacote que não se corresponde com outras obras que foram premiadas depois como a obra de teatro O filho e sim parece ser este Feixe levián. É uma obra da que depois recicla alguns poemas: tem cinco partes e da primeira e da segunda há vários poemas que apareceram em Poemas pendurados de un cabelo (1952) e um poema que sairá em Salterio de Fingoi (1961), mas o resto apareceram em revistas ou são inéditos. Entre eles aparece também um que publicou Pilar García Negro em Sermos Galiza no 2015 depois de atopá-lo no arquivo de Cunqueiro, pero aqui com um título que não figurava e com a data de que foi escrito em 1934.

—Poderemos ler esses inéditos?
Falei com Maria Victoria Carballo-Calero para ver de publicá-lo e deu-me licença. Pensei então em Miguel Anxo Fernán Vello que já me tinha comentado que queria publicar a obra completa e alegrou-se muito de saber que aparecera um poemário inédito e mostrou-se feliz de publicá-lo também. Sairá com Espiral Maior, seguramente já em 2023, pois ainda queda trabalho e há partes ainda por descifrar: está mecanografado, pero a tinta deixou alguns borrões. Como curiosidade, sabemos pela sua correspondência que foi escrito com uma máquina de escrever emprestada e que esta seria a quarta cópia, as outras foram enviadas ao certame da Argentina e não as conservamos.

—Foi injusto que a Real Academia não prorrogasse o Dia de Carvalho Calero depois da pandemia?
Acho que faltaram muitas coisas, embora houvesse obras interessantes, e há muitos coletivos e pessoas que reclamaram mais um ano, igual que aconteceu com outras homenagens. Também o tratamento institucional e editorial foi melhorável: reeditar a primeira versão de A gente da Barreira (1951/1982) e não a que ele revisou antes de morrer é um desrespeito. Sobre tudo quando a mesma editora eligiu reeditar as últimas versões doutras obras.

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