venres 23/07/21

A AELG nomea José Luandino Vieira "Escritor Galego Universal"

A Associação de Escritores e Escritoras em Língua Galega acordou em assembleia geral proclamar em 2021 o angolano José Vieira Mateus da Graça, conhecido por José Luandino Vieira, Escritor Galego Universal.

luandino veiria
Luandino Vieira (Imaxe: YouTube)

Luandino nasceu em Lagoa de Furadouro, Vila Nova de Ourém, em 1935, acompanhando os pais para Angola aos três anos. Seguiu estudos primários e secundários em Luanda e envolveu-se no movimento de libertação nacional, escolhendo o nome de Luandino como homenagem a Luanda.

Acusado de ligações políticas com o Movimento Popular de Libertação de Angola, MPLA, foi preso em 1959 pela PIDE, no chamado “processo dos 50”. Voltaria ser detido em 1961, desta vez condenado a 14 anos de prisão e medidas de segurança. Transferido em 1964 para o campo de concentração do Tarrafal, Cabo Verde, passou aí oito anos, até obter em 1972 o regime de residência vigiada em Lisboa.

Em 1975, após a independência do seu país, nacionalizou-se angolano. Regressou a Luanda em 1975, onde exerceu cargos diretivos no MPLA e foi presidente da Radiotelevisão Popular de Angola. Membro fundador da União dos Escritores Angolanos, exerceu funções de secretário-geral deste organismo desde a sua fundação em 1975 até 1992. "E agora, desde há alguns anos, é nosso vizinho, perto do pai Minho, correligionário e já para a vida Escritor Galego universal", diz a AELG.

Luandino Vieira foi distinguido com prémios como o da Sociedade Portuguesa de Escritores (1965), da Sociedade Cultural de Angola (1961), da Casa do Império dos Estudantes de Lisboa (1963) ou da Associação de Naturais de Angola (1963).

A partir de 1972, residindo em Lisboa, iniciou a publicação da sua obra, na maior parte escrita nas prisões por onde passou. Recusou em 2006 o Prémio Camões, o maior galardão literário para a língua portuguesa, “por motivos íntimos e pessoais”, que pareciam prender-se com o seu silêncio. Quebrado este com O livro dos rios, novo romance que até iniciou uma trilogia intitulada De rios velhos e guerrilheiros.

A sua obra

A sua obra, numa primeira fase e até 1962 (reunida em Vidas novas), é de conformação mais clássica, dando passagem com a escrita de Luanda a uma segunda etapa, absolutamente renovadora. Nela, em que também se insere Nós, os do Makulusu, é quando começa a inserir marcas de angolanização da língua portuguesa, subvertendo a norma padrão e adotando registos populares, orais e tradicionais africanos.

A AELG informa que "sua voz literária encontra a partir daqui um tom singular". "As estórias que escreve, mais longas que o conto sem alcançar as dimensões da novela ou romance, podem invocar o molde do mussosso, narração com peripécias frequentes, fábula ou narrativa moral africana tradicional. Porque o que Luandino faz a partir deste momento é uma deconstrução da língua erudita do colonizador, inseminando quimbundo a nível de vocábulos crioulizados, mesmo neologismos, prolongando a oralidade, tocando até na sintaxe", acrescenta.

De entre as suas obras destacan, em romance, A vida verdadeira de Domingos Xavier (1961 e 2003), João Vêncio. Os seus amores (1979 e 2004), Nosso Musseque (2003), Nós, os do Makulusu (1974 e 2004), O livro dos rios (2006), O livro dos guerrilheiros (2012).

Os contos som A cidade e a infância (1957 e 1986), Duas histórias de pequenos burgueses (1961), Luuanda (1963 e 2004), Vidas novas (1968 e 1997), Velhas histórias (1974 e 2006), No antigamente, na vida (1974 e 2005) e Macandumba (1978 e 2005) emtre outras.

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